“É A CRISE MAIS SÉRIA QUE A REPÚBLICA ISLÂMICA JÁ ENFRENTOU”

O Irã no coração da tormenta

Uma repressão brutal assola os iranianos desde 8 de janeiro. A licença dada às forças de segurança sugere que as autoridades estão acuadas, conscientes de que lutam pela própria sobrevivência. Após o esgotamento do aparelho ideológico islamista, o cimento nacionalista se desfaz e o crescimento das desigualdades e a negação das aspirações da população favorecem as ingerências externas

Partindo do Grande Bazar de Teerã em 28 de dezembro, o levante iraniano radicalizou-se rapidamente. “É o ano do sangue!” “Morte ao ditador!” A vontade de pôr fim ao poder instalado passou a ter primazia. Há pouco tempo incongruentes, bandeiras do antigo regime ressurgiram, acompanhadas de chamados para reuniões vindos do exterior de Reza Pahlavi, filho do último xá. “Não saiam!”, “Cuidem das crianças!”: as autoridades avisaram as famílias por SMS. No décimo dia, 8 de janeiro, a violência invadiu as ruas. Tornou-se então impossível avaliar sua dimensão realmente insurrecional, o eventual papel de atores externos, a parcela de provocações policiais e a intenção do governo de apagar qualquer contestação ao preço de um massacre. A derrubada da internet algumas horas antes de esquadrões armados descerem às ruas diz muito, assim como a recusa em conceder vistos a jornalistas estrangeiros. A interrupção e o controle das comunicações impedem compreender todos…

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