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2026, o ano da grande guerra?
Há quatro anos, a guerra grassa entre Kiev e Moscou. O atoleiro das negociações se deve não apenas à intransigência dos russos, mas também à firmeza dos europeus e à inconstância dos Estados Unidos (pág. 12). Estes recuaram na questão da Groenlândia (pág. 10), mas a ordem norte-americana nunca deixou realmente de reger o mundo, inclusive no Leste Asiático, apesar da ascensão da China (págs. 2 e 11). Para consolidar essa dominação global, Washington procura tanto derrubar governos quanto colocá-los na linha, como na Venezuela (pág. 8) ou mesmo no Irã, onde a República Islâmica, todavia, parece mais contestada do que nunca (pág. 6). A administração Trump sabe que uma mudança de regime em Teerã teria consequências importantes no Oriente Médio – um dos tantos focos de conflito atuais (abaixo)
O Irã no coração da tormenta
Uma repressão brutal assola os iranianos desde 8 de janeiro. A licença dada às forças de segurança sugere que as autoridades estão acuadas, conscientes de que lutam pela própria sobrevivência. Após o esgotamento do aparelho ideológico islamista, o cimento nacionalista se desfaz e o crescimento das desigualdades e a negação das aspirações da população favorecem as ingerências externas
Mudar o regime ou torná-lo vassalo
Que os Estados Unidos derrubem um governo estrangeiro não é novidade. Mas todos os golpes de força norte-americanos não obedecem ao mesmo modelo. O regime change neoconservador, praticado nos anos Bush, não parece contar com a simpatia do atual inquilino da Casa Branca
Por que a Groenlândia?
Pela primeira vez desde a assinatura do Tratado do Atlântico Norte, em 1949, tropas foram destacadas para dissuadir um membro da Otan de apoderar-se do território de outro membro. O capricho imperialista de Donald Trump com a Groenlândia testa seus “aliados” europeus
Falência hídrica
A redução noturna do fornecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, adotada pela Sabesp diante da queda nos níveis dos reservatórios, expõe um problema que vai muito além de uma crise momentânea de abastecimento. O cenário revela os sinais de uma escassez hídrica cada vez mais estrutural, resultado de décadas de exploração intensiva dos recursos naturais, desperdício e falta de planejamento
Os Estados Unidos sem disfarces, a Europa sem vida
Para enfrentar os Estados Unidos e seu presidente imprevisível, é preciso mais União Europeia? Repetida até a exaustão pelos dirigentes do Velho Continente, essa resposta reflexa oculta uma evidência que não passou despercebida a Donald Trump: em termos econômicos, sociais ou diplomáticos, o bloco não é uma força. Na realidade, a União Europeia incentiva a submissão
As brasas asiáticas de 1945
As relações entre China e Japão vivem uma convulsão de rara severidade, cuja origem se encontra do outro lado do mundo e que sugere que, apesar dos discursos sobre a “ruptura Trump”, a falta de consideração norte-americana em relação à ordem internacional não é novidade
Europa enfrenta impasse diante de Moscou
Celebrada como um símbolo de unidade e vigor, a política europeia de apoio à Ucrânia apresenta uma contradição importante: ao prolongar uma guerra que não pode ser conduzida sem os norte-americanos, os europeus se colocaram nas mãos dos Estados Unidos. A que preço?
O Partido Digital Bolsonarista nas eleições de 2026
Não institucionalizado, o partido de Bolsonaro consegue lançar candidatos em várias legendas e acumular recursos em torno de um mesmo projeto político, mantendo ao mesmo tempo sua característica antissistema. Neste ano, a formação mira nas eleições ao Senado para compor uma maioria qualificada, que dê acesso, entre outros poderes, ao impeachment de ministros do STF
Tendência de renovação baixa na Câmara e alta no Senado
O país se vê mais uma vez diante de um pleito em que a lógica de preservação do poder e de confronto ideológico estéril ameaça se sobrepor ao interesse nacional
Criar o vazio
Um bilhão de dólares. Esse é o valor do ingresso exigido por Donald Trump para que um Estado faça parte de seu Conselho da Paz. Esse órgão de contornos vagos se propõe a resolver guerras, inclusive aquela que ainda se desenrola em Gaza, apesar da proclamação de um “cessar-fogo”. Os palestinos, que não têm voz sobre o próprio futuro, são assim deixados de lado
Na Cisjordânia, o vinho a serviço da colonização
Nos territórios ocupados da Cisjordânia, os vinhedos se expandem cada vez mais. Produzidos em terras confiscadas dos palestinos e com o apoio incondicional de Tel Aviv, os vinhos israelenses prosperam e são exportados. Bastam algumas dissimulações para fazer esquecer sua origem e colocá-los no mercado europeu
Como negar um genocídio?
Se é relativamente fácil, para o governo de um Estado poderoso, perpetrar massacres em massa, é mais difícil assumir publicamente a responsabilidade por um genocídio. É preciso, dessa forma, minimizar, ocultar, reescrever a história. O caso do genocídio dos armênios (1915-1916), ainda contestado pelo poder turco, revela as lógicas e os métodos dessa negação
Um balé de agentes secretos, lobistas e empresários em torno de um gasoduto
Destruídos por uma sabotagem cometida por uma equipe ucraniana provavelmente com o apoio dos Estados Unidos, os gasodutos North Stream, que transportavam gás russo para a Alemanha, jazem no fundo do Mar Báltico. Os Estados europeus, que afirmam poder prescindir dos hidrocarbonetos russos, excluíram qualquer possibilidade de reativação. Mas, nos bastidores, Moscou e Washington avaliam o futuro
Como o capitalismo consegue se manter
Nas últimas décadas, os pensadores críticos enfatizaram o papel da “cultura” na fabricação do consentimento, a ponto de, às vezes, esquecer que a hegemonia também – e talvez antes de tudo – se apoia em forças materiais, em estruturas tangíveis. Diante daquilo que Karl Marx chamava de “a surda pressão das relações econômicas”, o importante é não se resignar
Futuro do trabalho será definido pelas relações sociais, não pela tecnologia
Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, o historiador e sociólogo Aaron Benanav fala sobre seu último livro, Automação e o futuro do trabalho. Na obra lançada pela Boitempo em novembro, o professor da Universidade Cornell, Estados Unidos, desfaz mitos sobre o fim do emprego provocado pela tecnologia, identifica as causas estruturais da precarização no mundo do trabalho atual e aponta caminhos para uma sociedade pós-escassez
A guerra é meu ofício
A derrota é sempre culpa dos outros: dos pacifistas ou da quinta coluna, daqueles que não entregaram armas suficientes, não enviaram soldados suficientes, não lançaram bombas suficientes
Jack London, sociólogo
É inspirando-se na própria vida – a de um andarilho que se tornou escritor de sucesso – que Jack London compôs seu romance Martin Eden (1909). Frequentemente associado à aventura, aos espaços abertos e à vida selvagem, o escritor revela na obra um aguçado senso social. Ele descreve o fenômeno da migração de classe com uma acuidade e uma profundidade que os sociólogos não deveriam desprezar
Sem ingressos para o povo
A Copa do Mundo masculina, que acontecerá na América do Norte de 11 de junho a 19 de julho, se anunciava mais aberta, com o aumento do número de países participantes. Na realidade, o custo dos ingressos, das hospedagens e dos deslocamentos e as restrições na concessão de vistos afastam mais do que nunca o evento do esporte popular
Miscelânia
Confira a resenha dos livros 1461 dias na trincheira, de Eduardo Scolese; Sob o céu de Isaías, de Vitor Kappel e Amarga, de Maíra Valério

