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Trump, o pirata do Caribe
A Doutrina Monroe volta com força na América Latina, acompanhada agora do chamado Corolário Trump. Objetivos dos Estados Unidos: restaurar sua dominação continental, conter a influência chinesa e colocar a região a serviço das prioridades internas definidas pela Casa Branca. Transformadas em vassalas, as direitas locais ganham terreno e se regozijam
A América Latina na engrenagem doméstica do trumpismo
Em Trump 2.0, a política para o hemisfério deixa de buscar consenso externo e passa a servir à mobilização interna, à guerra cultural e ao cálculo eleitoral permanente
A era Maduro em xeque e a volta da Doutrina Monroe
População vem sendo convocada a se preparar para um conflito armado em defesa do país e incentivada a integrar milícias voluntárias, enquanto procura sobreviver em um cenário de hiperinflação e crises de abastecimento
Déjà-vu nas Américas
O que há de realmente novo na conjuntura do continente americano, qual é a história daquilo que aparece como novidade e quais obstáculos impedem pensar o futuro como um horizonte de ruptura? Se a doutrina do norte se sustenta pela repetição, a tarefa do sul é inventar
De Fidel a Bukele: um novo tempo do mundo
O horizonte revolucionário encarnado por Fidel Castro projetava a mudança social como futuro, enquanto o populismo punitivista de Bukele propõe securitizar o existente. A consciência orgulhosa do passado já não alimenta horizontes futuros. Nesse deslocamento entre a mudança social e a punição, revela-se um encolhimento de expectativas
Entre Venezuela e Colômbia, mais que uma fronteira
Mais de 2.200 quilômetros de fronteira terrestre separam Colômbia e Venezuela. Entre 1950 e 1980, milhões de colombianos que fugiam da pobreza e do conflito armado atravessaram essa linha para tentar a sorte no então próspero Estado petrolífero – hoje enfraquecido por uma crise que, por sua vez, provocou uma forte migração e favoreceu todo tipo de tráfico na região. Quem são os colombianos na Venezuela? Que marca deixaram no país bolivariano?
O Sudão, “epicentro mundial do sofrimento humano”
A tomada da cidade de El-Fasher pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), em 26 de outubro, e as atrocidades que a acompanharam lembraram à mídia ocidental a existência e a intensidade da guerra civil sudanesa. Frequentemente apresentado como produto de uma rivalidade entre dois comandantes militares e suas facções, o conflito também interessa a potências estrangeiras, que buscam tirar proveito dele e, à sua maneira, alimentam a dinâmica do confronto
Tucídides, um bode expiatório conveniente
Uma provocação da primeira-ministra do Japão sobre Taiwan reacendeu a perspectiva de um conflito no Leste Asiático. Exercícios militares sino-russos são respondidos com manobras japonesas e de seu aliado norte-americano. Mesmo que demonstrações de força não equivalham a uma declaração de guerra, o risco de conflagração permanece latente. Para alguns, um confronto armado entre Washington e Pequim seria inevitável
Elogio do papel
Como dissipar a névoa de dados, notícias e imagens que irrompe sem trégua em nossas telas? Um método revolucionário, embora com dois milênios de idade, pode oferecer um asilo aos desertores da guerra da atenção. Suas virtudes espantam seus usuários, e seu poder deixa o Vale do Silício em polvorosa
No interior da Hungria, as áreas rurais no centro da batalha eleitoral
Firmemente instalado no poder desde 2010, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vê-se desafiado em seu terreno preferido: o meio rural. Seu rival, Péter Magyar, oriundo do mesmo partido, representa agora a direita liberal pró-Europa e tenta romper a hegemonia da direita nacional-conservadora ao percorrer as pequenas cidades, decisivas para as eleições legislativas de abril
Por que os Estados Unidos estão retomando a energia nuclear civil
A inteligência artificial levará o setor de energia ao superaquecimento? Os enxames de microprocessadores que impulsionam robôs conversacionais consomem, de fato, uma quantidade enorme de eletricidade. Nos Estados Unidos, investidores se lançam sobre tudo o que pode gerar corrente, e a Microsoft cogita reativar a usina de Three Mile Island, 46 anos após um dos maiores acidentes nucleares da histórica norte-americana…
A “república oligárquica da Ucrânia”
Investigadores ucranianos revelaram em novembro a existência de um vasto sistema de desvio de fundos no setor de energia. Esse escândalo denuncia a persistência de uma corrupção endêmica no país, apesar da guerra, que parecia enfraquecer os clãs político-financeiros. Desde o colapso da União Soviética, esses grupos passaram por reconfigurações incessantes, apesar das promessas governamentais
Donbass, o obstáculo das negociações de paz na Ucrânia
Não é raro, em conflitos armados, que um grande número de soldados morra pela conquista de territórios cuja importância estratégica é secundária, como aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial. O controle da região de Donetsk constitui uma exigência inegociável tanto para a Rússia como para a Ucrânia. Esse nó górdio ainda não foi desfeito, e a guerra continua
Um ogro no espelho
Em 19 de agosto de 2025, Emmanuel Macron qualificou seu homólogo Vladimir Putin de “ogro” e “predador”. Segundo ele, a França deve se preparar para defender seus valores – democracia, liberdade, tolerância – contra o modelo iliberal de Moscou, inclusive militarmente. Se acreditarmos no presidente, nada há em comum entre França e Rússia. No entanto, o exame das instituições dos dois países revela algumas semelhanças perturbadoras
Esteticismo imperial
A consagração da pintura abstrata latino-americana nas décadas de 1960-1970 deve muito a um crítico de arte apaixonado, dotado de poderes institucionais. A preocupação estética dissimulava poderosos interesses políticos. Essa iniciativa pacífica insere-se em uma longa história: a das intervenções de Washington em seu “quintal” do sul
O fanático pela nuance
A generalidade do discurso de Jean Birnbaum, chefe do suplemento literário Le Monde des Livres, baseada em ideias vagas ou consensuais – não reproduzir os erros do passado, defender a democracia – apresenta a enorme vantagem de não incomodar ninguém
Miscelânea
Confira a resenha dos livros Desenterrar os ossos, de Priscila Branco; Caças ao homem: história e filosofia do poder cinegético, de Grégoire Chamayou e Nó da Madeira, de Luciana Lubiana

