Quando Israel arrasta os Estados Unidos
Genocídio, anexações, agressões: Tel Aviv e Washington já não prestam mais contas. Nem a seus aliados nem às Nações Unidas; nem de seus objetivos nem de seus meios, embora estes sejam manifestamente ilegais . O multilateralismo é colocado à prova . O Sul Global, dividido, entra no jogo com relutância. E a Europa consente com os bombardeios a bairros residenciais de Beirute e a infraestruturas civis iranianas . Qual é o impacto dos conflitos na América Latina e no Brics? A sociedade israelense, por sua vez, continua apoiando as aventuras militares de seu governo, uma ofensiva que incendiou todo o Oriente Médio e ameaça a estabilidade do resto do mundo
É preciso salvar o multilateralismo
“Não à guerra.” Entre as nações, a Espanha fez-se ouvir com uma voz singular. Mais uma vez, depois da agressão norte-americana contra a Venezuela, depois do genocídio em Gaza. O presidente espanhol explica nestas páginas por que seu país rejeita o império da força
Uma docilidade bem mal recompensada
Privada de um pretexto sério e de uma justificativa legal, a agressão israelo-americana ao Irã evidencia a irrelevância da Europa diante de uma guerra que afeta sua segurança e ameaça sua economia. Esse apagamento é ainda mais espetacular porque Washington havia rompido anteriormente um tratado com o Irã negociado por todos os europeus
O belicismo como cimento social
A impopularidade do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não impede a maioria dos israelenses de aprovar sem reservas a guerra contra o Irã. Para além do trauma provocado pelo ataque de 7 de outubro de 2023, essa união sagrada evidencia as contradições da sociedade e sua recusa de fazer qualquer autocrítica com relação à estratégia belicista de Tel Aviv
O mito dos bombardeios libertadores
“Ataques cirúrgicos”, caças guiados por satélite, mísseis cheios de tecnologia… A guerra por bombardeios aéreos, à primeira vista tão simples e controlada quanto um videogame, permitiria atingir com eficiência objetivos estratégicos, preservando a vida das tropas. No entanto, a história mostra os problemas desse tipo de método
Os hutis em compasso de espera
O movimento rebelde iemenita foi duramente atingido pelas represálias norte-americanas e israelenses. Teerã, porém, ainda pode mobilizar militarmente esse aliado caso sofra reveses importantes ou se o conflito entrar em uma fase pantanosa. Porém, isso vai na contramão da linha do antigo líder supremo, que tentava institucionalizar os hutis no plano político
Moscou, a grande beneficiada?
Mais receita de petróleo para Moscou, menos munição para Kiev: a guerra no Oriente Médio favorece a Rússia. Ainda assim, segundo muitos especialistas russos, a desestabilização do parceiro estratégico iraniano coloca o Kremlin numa posição delicada
Os trovadores da guerra
Por que se preocupar com o direito quando se tem a moral do próprio lado? Segundo certos dirigentes políticos e juristas complacentes, o ataque ilegal ao Irã pelos Estados Unidos e por Israel deveria ser aprovado porque teria sido “justo”. Pretensamente inovador, esse discurso perigoso ignora cem anos de avanços jurídicos e políticos
Brics sob fogo cruzado
Se revela pressões externas que atravessam o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos outros cinco países incorporados nos últimos dois anos, a crise provocada pelos ataques ao Irã também sugere que o agrupamento pode desempenhar um papel relevante na reconstrução de canais de diálogo internacionais
A hegemonia dos Estados Unidos na América Latina e no Oriente Médio
Uma análise macro das relações dos Estados Unidos com as regiões nas quais Irã e Venezuela se situam com base em uma retomada histórica e com o objetivo de iluminar aspectos importantes da conjuntura para a América Latina. Quais são as prioridades da política externa norte-americana, os meios de exercício do domínio e as possibilidades latino-americanas em um cenário marcado pelo acirramento da agressividade da potência?
O Brasil que se cuide!
a histórica condição da América Latina como zona de paz e a tradição diplomática brasileira já não bastam para garantir segurança e soberania. Diante de pressões externas, acordos militares no entorno regional e sinais de reconfiguração geopolítica liderada pelos Estados Unidos, o Brasil passa a encarar a defesa nacional como tema urgente
Otimismo obstinado
Enquanto as guerras se multiplicam e as potências se rearmam, o que chama atenção não é a falta de motivos para protestar, mas o esvaziamento das ruas. Comparadas às gigantescas mobilizações antiguerra de 1982 e 2003, as manifestações recentes parecem tímidas e isoladas
Jeffrey Epstein em Paris
Em geral tratado como um episódio policial, o “caso Epstein” merece ser examinado do ponto de vista sociológico. Afinal, os milhões de documentos tornados públicos pela Justiça não informam apenas sobre uma exceção criminosa: eles revelam o funcionamento de uma fração da elite, habituada aos bairros nobres. Como o 16º arrondissement de Paris…
O casamento da IA com o Estado
Como entender a ascensão e o papel da indústria tecnológica norte-americana? Na imprensa e nas revistas, as noções de “tecnofeudalismo”, “luzes sombrias” e “tecnofascismo” disputam o posto de conceito da moda em maior evidência. Uma perspectiva histórica leva a um conceito mais antigo, mas também mais sólido: o imperialismo
Radiografia da extrema direita violenta
Nas últimas semanas, os grandes meios de comunicação franceses se divertiram apresentando a esquerda radical como um novo fascismo, intolerante, faccioso e assassino. Essa manobra simbólica faz esquecer a existência de uma ultradireita identitária e carregada de ódio, que se espalha pelas redes sociais, consolida seus redutos e cultiva um ideal de reconquista pela força
As traições de Starmer não mataram a esquerda britânica
No Reino Unido, o poder também parece reservado à direita radical. O partido Reform UK, de Nigel Farage, está em alta. Quinze anos de austeridade e escândalos desacreditaram os conservadores. Dezoito meses de governo trabalhista enojaram o eleitorado. No entanto, certo entusiasmo em torno dos Verdes, agora liderados pelo “ecopopulista” Zack Polanski, sugere que a disputa ainda não está decidida
Extrativismo até a última gota no Cazaquistão
No Cazaquistão, 68% das exportações dependem das “cidades monoindustriais”, centros industriais com reservas geológicas excepcionais. Erguidas na época da União Soviética em torno de grandes fábricas que também prestavam serviços à população, elas vão se deteriorando, saqueadas por investidores gananciosos. Como consequência, as condições de trabalho de siderúrgicos e mineradores vêm piorando
Retorno a Kariba
Na fronteira com a Zâmbia, a barragem criou um lago; o lago formou uma paisagem; e a paisagem ajudou a enraizar uma comunidade, convencida de ter moldado a natureza e adquirido sobre ela um direito duradouro. No entanto, os brancos do Zimbábue são agora uma minoria a negociar seu lugar numa ordem que já não controlam
A políticas nas ruas da China
O descaso com que líderes ocidentais – franceses, em particular – tratam os processos eleitorais instruiu os chineses sobre as supostas virtudes da democracia liberal. Questionados sobre o assunto, muitos explicam que a melhor maneira de saber se um sistema político é bom consiste em observar se ele funciona ou não. Resta saber se a China “funciona” da mesma forma para todos…
Na eternidade de Palmira
Quando vestígios de uma cidade antiga – testemunha maravilhosa dos impérios dos quais foi uma das grandes encruzilhadas – são devastados pela guerra, pensa-se que, com a paz restabelecida, a reconstrução vai se impor. No entanto, seria necessário apagar a história? Quem fica encarregado da restauração? Que lugar será dado aos vivos da moderna cidade vizinha da antiga Palmira?
Socialismo em uma só cidade?
Desde 2008, mais da metade dos habitantes do planeta vive em áreas urbanas. Esses aglomerados, onde a miséria convive com a riqueza, já alimentaram em outros tempos a utopia de um socialismo particular
Soberania digital, o dia seguinte
“‘Desde as 6 horas da manhã, Donald Trump pôs suas ameaças em execução. Seu governo cortou os serviços digitais norte-americanos para toda a União Europeia”
Miscelânia
Confira a resenha dos livros Bom amar, de Fabiana Grieco; Vespeiro, de Irka Barrios e Dialeto das nuvens, de Christian Dancini

