Socialismo em uma só cidade?
Desde 2008, mais da metade dos habitantes do planeta vive em áreas urbanas. Esses aglomerados, onde a miséria convive com a riqueza, já alimentaram em outros tempos a utopia de um socialismo particular
“As municipalidades são o lar natural do proletariado. É ali que, num primeiro momento, ele vai afirmar sua força”, sustentou Seymour Stedman em 1904. Para esse socialista de Illinois, a cidade poderia ser o espaço privilegiado de uma luta eficaz contra o capitalismo. Sua voz não estava isolada: ela ecoava um poderoso movimento internacional, muito ativo nas décadas de 1880 a 1920 nos Estados Unidos, na Europa – da Suécia à Itália –, mas também na Austrália e na Nova Zelândia. Nas décadas que se seguiram à Comuna de Paris, verdadeira matriz dessa onda, os políticos eleitos socialistas conquistaram centenas de prefeituras, democratizaram a vida pública e melhoraram as condições de vida das classes populares. A expansão do socialismo municipal se deveu antes de tudo a condições econômicas e demográficas: sob o efeito da segunda industrialização, os proletários, cada vez mais numerosos, concentraram-se em determinados bairros ou cidades. Na França,…

