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No olho do furacão
A campanha ricos × pobres é catapultada pela geopolítica da nova Guerra Fria, tornando o Congresso e o STF campos de batalha de um conflito global
A farsa exposta do nacionalismo fajuto e o acerto de contas com o golpismo
O primeiro julgamento da história de militares por tentativa de golpe de Estado no Brasil e o tarifaço de Trump, que revela as contradições do suposto nacionalismo da caserna e sua posição subserviente aos interesses do capital internacional, configuram um momento crucial para debater o sentido das Forças Armadas e sua relação autoritária com a política brasileira
Do limão, uma limonada
A sociedade brasileira deve transformar o desafio imposto pelo tarifaço em um novo pacto social, que entenda a relevância do desenvolvimento econômico e do fortalecimento da indústria como uma necessidade de soberania
24 omissões no julgamento do golpe
Sem as torres de transmissão, o sistema elétrico não funciona. Entre 8 e 9 de janeiro de 2023, no mesmo dia em que ocorreram os atos golpistas em Brasília, quatro delas foram derrubadas. Por que, então, os três inquéritos abertos pela Polícia Federal sobre esses ataques não são considerados parte da tentativa de golpe de Estado?
Cumplicidades árabes
Países árabes não socorrem Gaza: a normalização com Israel rima com bons negócios
A CIA contra o Pentágono
O retorno de Donald Trump à Casa Branca parecia anunciar um expurgo nas agências de inteligência. O presidente republicano as acusava de terem procurado prejudicá-lo ao alimentar as fabulações do “Russiagate”. No entanto, em período de tensões internacionais, o papel crescente das operações secretas e das tecnologias de ponta não lhe permite afastar a CIA em favor do Pentágono
Europa, a capitulação permanente
Raramente os discursos sobre a grandeza da Europa, farol democrático abalado pela onda “populista”, foram tão exaltados. E raramente a União Europeia sofreu tantos reveses em matéria diplomática, estratégica e comercial. Mais ligados ao vínculo transatlântico do que ao interesse das populações, os dirigentes do Velho Continente multiplicam as reverências diante de Donald Trump
Austeridade, o banquete dos acionistas
Um presidente da República marginalizado, um primeiro-ministro de saída, uma população exasperada. O poder francês vai agarrar-se ao seu plano de austeridade, que consiste em extorquir trabalhadores, aposentados e doentes para financiar o Exército e reequilibrar as contas? E o Estado continuará a alimentar, a fundo perdido, os lucros das grandes empresas?
Na Nova Zelândia, os maoris se sentem novamente traídos
Os povos indígenas da Nova Zelândia – cerca de 20% da população – acumulam dificuldades econômicas e sociais. Desde a década de 1970, uma série de medidas tentava corrigir as desigualdades. No entanto, a coalizão conservadora no poder vem agora recuando, suprimindo todas as políticas de apoio aos maoris e chegando a ameaçar o ato fundador da Nova Zelândia, o Tratado de Waitangi, de 1840
À espera da Indonésia
Com 87% de seus 280 milhões de habitantes declarando-se de confissão islâmica, a Indonésia é um dos poucos países de maioria muçulmana que pode ser considerado uma democracia. Com regularidade, a imprensa internacional anuncia o surgimento econômico e diplomático do gigante até então adormecido. No entanto, as condições para tal despertar estão realmente reunidas?
Na Turquia, a abertura aos curdos
Ninguém ignora que o presidente turco ambiciona obter um terceiro mandato em 2028. Para isso, será preciso que ele reforme a Constituição e costure alianças políticas. Resta saber se está disposto a frear seu autoritarismo e a conquistar os eleitores curdos, no momento em que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) decide autodissolver-se e depor as armas
Em uma década, o Sahel mudou completamente
Os golpes de Estado no Mali, em Burkina Faso e no Níger, inicialmente apresentados como respostas temporárias à crise de segurança no Sahel, parecem estabelecer de forma duradoura regimes autoritários. Além do repúdio de sempre à presença francesa, esses novos governos militares têm dificuldade em formular um projeto verdadeiro e, sobretudo, conter uma onda jihadista cada vez mais mortal
Caderno de viagem à Síria
Livres do presidente Bashar al-Assad, os sírios oscilam entre a esperança de viver em um Estado de direito e o receio de ser submetidos a um novo autoritarismo em que a maioria sunita imporia sua lei a minorias religiosas como os drusos e os alauitas. Hábil nas manobras, o presidente Ahmed al-Sharaa sabe também que precisa dar sinais de tolerância para assegurar o apoio das capitais ocidentais
“Está muito difícil ser israelense hoje. É vergonhoso o que estão fazendo”
Em visita ao Brasil, o historiador israelense Ilan Pappe fala sobre propaganda de Israel, colonialismo e o lançamento de seu novo livro, Brevíssima história do conflito Israel-Palestina
Afinal, o que a China está fazendo?
Enquanto Israel semeia a devastação no enclave palestino, muitos sonham em ver o governo chinês retomar seu anticolonialismo de outrora para enfrentar Tel Aviv. Não será isso um engano a respeito do papel que Pequim pretende desempenhar na cena internacional dos próximos anos?
Como desracializar o mundo sem mobilizar a própria noção de raça?
Se por um lado é urgente afirmar as experiências raciais e nomear a opressão para combatê-la, por outro essa nomeação também mantém a lógica racial funcionando
Quando os sindicatos enfrentaram a digitalização
Ao longo da década de 1970, o mundo do trabalho sofreu em cheio a primeira grande onda de informatização. Os documentos produzidos na época pelas principais centrais sindicais francesas atestam sua combatividade e uma crítica incisiva ao fenômeno. Meio século depois, eles nos oferecem ferramentas afiadas diante do avanço da inteligência artificial
Os dois destinos da criptomoeda
Sejam domésticas ou internacionais, as tensões políticas encontram na moeda um ponto de cristalização particularmente sensível. No contexto do confronto entre Estados Unidos e China, o avanço das novas tecnologias monetárias coloca o mundo diante da perspectiva de uma bifurcação dolorosa – até mesmo de uma nova guerra de moedas
Ritmos de Cuba
Cuba sempre pesou mais do que seu peso. No plano político, a ilha concentra atenção e embaixadas estrangeiras. No entanto, ela também conta no plano artístico, especialmente na música. São raros, de fato, os gêneros que se dançam há tanto tempo e tão longe do território que os viu nascer
Novo boom literário latino-americano?
Quando os romances de Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez começaram, na década de 1960, a ocupar amplas prateleiras das livrarias europeias, o fenômeno recebeu o nome de boom latino-americano. Hoje, uma nova geração de autoras garante a sucessão. Seu sucesso se deve em grande parte ao enraizamento das obras em suas sociedades de origem
A Geração de 30 e a literatura da desigualdade no Nordeste
Romances de José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos surgiram na década de 1930 como denúncias em forma de arte e expuseram a realidade de retirantes, trabalhadores rurais e famílias vítimas da fome e do flagelo
Miscelânea
Confira a resenha do filme “Tarifa Zero: Cidade em Disputa”, de Katarine Flor, Caroline Oliveira e Marcelo Cruz, Fundação Rosa Luxemburgo e Brasil de Fato. E as resenhas dos livros “Pensar Fanon”, de Françoise Vergès e outros e “A Noite Atira Sóis ao Infinito”, de Paulo Emílio de Paiva

