QUAL FUTURO APÓS A DITADURA?

Caderno de viagem à Síria

Livres do presidente Bashar al-Assad, os sírios oscilam entre a esperança de viver em um Estado de direito e o receio de ser submetidos a um novo autoritarismo em que a maioria sunita imporia sua lei a minorias religiosas como os drusos e os alauitas. Hábil nas manobras, o presidente Ahmed al-Sharaa sabe também que precisa dar sinais de tolerância para assegurar o apoio das capitais ocidentais

Nos braços do pai, Aram, de 3 meses, se remexe em seu pequeno body. Ele é tomado pela alegria contagiante da multidão reunida diante do Túmulo do Soldado Desconhecido, na parte alta de Damasco. Na noite de 3 de julho, a escuridão é riscada por raios de luz emanados de um imponente palco onde em breve será revelada a identidade visual da nova Síria. O simples fato de poder se reunir tão perto do palácio presidencial sem correr o risco de ser preso reaviva a excitação incrédula dos primeiros dias da “libertação”, logo após a queda do ditador Bashar al-Assad, em 8 de dezembro, e sua fuga para Moscou.[1] “Nada é eterno, Bashar caiu”, canta um grupo de jovens. Depois eles formam uma roda em torno de Aram, símbolo de uma geração de sírios que não terá mais de curvar a cabeça diante do poder. É, em todo caso, o…

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