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O desafio financeiro: a era dos parasitas
Não estamos enfrentando apenas o Banco Master, e sim um sistema improdutivo de apropriação do excedente social voltado para pessoas ou grupos que podemos qualificar de parasitas, que não só enriquecem sem contribuir, como também deformam a governança e travam o desenvolvimento
Até onde vai o esquema criminoso
O escândalo do Banco Master traz à tona a necessidade de rever a desregulamentação financeira e seus incontroláveis riscos para toda a economia. Também escancara a necessidade de revogar a autonomia do Banco Central e mostra, acima de tudo, a importância da ferramenta da auditoria e do acompanhamento das contas públicas com transparência e participação social
Caso Master e o regulador
A escala de questionamento da regulação estatal assume proporções ainda maiores diante do elevado poder econômico das instituições financeiras
Mui amigo
Em poucos meses, uma sucessão de medidas diplomáticas, econômicas e simbólicas vindas de Washington passou a redesenhar o ambiente estratégico do Brasil. Tarifas punitivas, sanções a autoridades, pressões sobre políticas tecnológicas e financeiras, movimentações militares na região e rearranjos de alianças no continente compõem um cenário que vai além de episódios isolados e sugere uma disputa mais ampla em torno da autonomia brasileira
Um dia como outro qualquer
Em meio à banalidade da programação televisiva e ao fluxo incessante de notícias, uma ameaça de extermínio pode ser lançada ao mundo sem provocar mais do que comentários especulativos e silêncios diplomáticos.
Israel e a doutrina da periferia
No Líbano, nas últimas semanas, como em outros pontos do Oriente Médio há vários meses, Israel bombardeou populações civis e realizou incursões terrestres. Contudo, além dessas agressões militares diretas, Tel Aviv vem se empenhando em fraturar as sociedades vizinhas e enfraquecer o campo de seus adversários árabes por meio de alianças indiretas, seguindo uma antiga doutrina conhecida como “da periferia”…
Oh, Deus! Que beleza é a guerra…
Durante muito tempo, eles encarnaram o tipo humano mais desprezível que se possa imaginar: os traficantes de armas, que Bob Dylan considerava que não “valiam o sangue que corre em suas veias”. Hoje, a União Europeia os exalta como heróis do grande rearmamento moral e militar. Esse mórbido entusiasmo também se espalha pelo setor financeiro, no qual o Estado incentiva os investimentos armamentistas
Nas origens da limpeza étnica
O roubo das terras e dos recursos da Palestina não começou com as grandes expulsões de 1948. No período do mandato britânico, o movimento sionista já havia concebido e iniciado um processo de colonização avançada. Este implicava o apagamento das populações, das estruturas e das culturas preexistentes. Assim, não demorou para que eclodissem confrontos
Islamabad e Cabul, o custo da proximidade
Desde 23 de março, Islamabad se ofereceu para sediar negociações “diretas ou indiretas” entre Washington e Teerã, a fim de avaliar um cessar-fogo. Fazendo fronteira com o Irã, o Paquistão mede as consequências potenciais de uma escalada do conflito, num momento em que ele próprio está às voltas com seu rival histórico, a Índia, e envolvido em um conflito cada vez mais violento com o Afeganistão
Batalha mundial pela energia
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta à agressão de Estados Unidos e Israel, produziu uma onda de choque mundial. Vinte anos de transição “verde” não afetaram de modo fundamental a dependência da humanidade do petróleo. Alguns países importadores tentam prevenir desabastecimentos, acumulando reservas. Porém, a hora da crise econômica e das escolhas dolorosas chegou
Petróleo, a estratégia do pé de meia
Diante das interrupções no abastecimento provocadas por guerras e crises geopolíticas, como a atual guerra no Irã, países recorrem às reservas estratégicas de petróleo e gás para amortecer a alta dos preços, mas a resposta permanece limitada
A fachada ética do Vale do Silício
Como em um teatro de marionetes, a dramaturgia do Vale do Silício segue um roteiro bem conhecido: a indústria da inteligência artificial (IA) fala dos riscos que seus produtos representam para a humanidade e, ao mesmo tempo, comercializa soluções “éticas”. A empresa Anthropic levou essa estratégia ao grau máximo de perfeição no conflito que recentemente a opôs ao Pentágono
O Vaticano e a IA
Um culto da IA seria, hoje, capaz de pôr em xeque a hegemonia da Igreja sobre a fé? A cúria tem razão de se preocupar?
A Irlanda do Norte, cada vez mais irlandesa
Há dez anos, os britânicos decidiram abandonar a União Europeia. Na Irlanda do Norte, essa saída fez avançar a ideia de reunificação da “ilha esmeralda”. Os republicanos consideram inclusive inevitável a vitória em um referendo que colocaria fim à separação. Como dizia o nacionalista irlandês Daniel O’Connell (1775-1847): “Cada dificuldade da Inglaterra é uma oportunidade para a Irlanda”
Uma crise monstruosa
Uma panela de pressão enterrada nas profundezas das finanças desreguladas ameaça explodir. Longe das vistas, o caldo do private credit vem fervendo há anos. Agora, os credores começam a entrar em pânico. Uma crise nesse setor provocaria uma reação em cadeia devastadora para uma economia já fragilizada pela alta dos preços da energia
O futuro da política agrícola comum europeia
Em negociação, a futura política agrícola comum (PAC) da Europa para 2028 a 2034 suscita muitos debates entre os Estados-membros. Em questão estão o orçamento destinado à agricultura, mas também às ajudas ambientais. O tema divide, ainda mais porque, ao mesmo tempo, coloca-se a questão da integração ao bloco da Ucrânia, uma grande potência agrícola
Sombras e luzes do agrovoltaísmo
Prometendo conciliar agricultura e produção de eletricidade solar, o sistema agrovoltaico vem se desenvolvendo de forma fulgurante na França. Por trás da ambição declarada, porém, está o apetite financeiro das empresas de energia. A permissividade regulatória atual corre o risco de sacrificar terras e paisagens em nome do crescimento, deixando uma fatia irrisória da renda para o mundo agrícola, dividido sobre o tema
Yiwu, a capital da globalização
É a etiqueta que acompanha a maioria dos objetos de nosso cotidiano. De tanto aparecer por toda parte, ela já não evoca nenhum lugar preciso: de Nova York a Moscou, de Oslo a Pretória, de Paris a Jacarta, o selo paira sobre o planeta como um rótulo abstrato. No entanto, por trás da expressão Made in China se esconde uma cidade bem real, situada ao sul de Xangai
As rotas africanas da cocaína
Nunca tanta cocaína foi produzida e consumida no mundo. A África Ocidental, situada entre as zonas de produção sul-americanas e a Europa, o maior mercado consumidor, tornou-se uma importante zona de trânsito. Os traficantes prosperam por lá em razão de sólidas redes de cumplicidade, aproveitando a fragilidade dos Estados
Estados cúmplices de genocídio
Se existem meios jurídicos para obrigar as capitais a respeitar seus compromissos internacionais, um dos principais quadros institucionais previstos para incentivá-las – as Nações Unidas – encontra-se fragilizado pela hostilidade e pela leviandade dos Estados Unidos
E agora vem Melania…
Diante do risco de suspensão dos pagamentos anunciado por Guterres, 150 dos 193 países anteciparam o pagamento de sua contribuição anual de 2026
Miscelânia
Confira a resenha dos livros A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais, de Vladimir Safatle; Sob o signo de aquário, de Eduardo Lana e Desemprego e outras heresias, de Bruno Inácio

