UMA ESTRATÉGIA DO CAOS E DA FRAGMENTAÇÃO

Israel e a doutrina da periferia

No Líbano, nas últimas semanas, como em outros pontos do Oriente Médio há vários meses, Israel bombardeou populações civis e realizou incursões terrestres. Contudo, além dessas agressões militares diretas, Tel Aviv vem se empenhando em fraturar as sociedades vizinhas e enfraquecer o campo de seus adversários árabes por meio de alianças indiretas, seguindo uma antiga doutrina conhecida como “da periferia”…

“A invasão israelense atingiu indiscriminadamente. [...] A destruição de vilarejos e cidades e o massacre de civis foram confirmados. [...] O Estado de Israel aplica no sul do Líbano o método que deu provas de sua eficácia na Galileia e em outros lugares em 1948: ele ‘palestiniza’ o sul do Líbano. [...] As ações de Israel são consideradas respostas legítimas, mesmo quando parecem desproporcionais, enquanto as dos palestinos são tratadas exclusivamente como crimes terroristas. E um morto árabe não tem a mesma medida nem o mesmo peso que um morto israelense. [...] Israel pode contar com uma cumplicidade quase unânime.” Essas linhas não foram publicadas no dia seguinte à “quarta-feira sombria”, em 8 de abril de 2026, quando a aviação israelense matou mais de 350 civis libaneses em alguns minutos e deixou perto de 1.500 feridos. Gilles Deleuze as escreveu no Le Monde em 7 de abril de 1978.[1] O…

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