O Vaticano e a IA
Um culto da IA seria, hoje, capaz de pôr em xeque a hegemonia da Igreja sobre a fé? A cúria tem razão de se preocupar?
“Nós, inquisidores da fé, a vós, Sam Harris Altman: que Deus o torne mais sábio”, teria iniciado o inquisidor-teólogo. Depois, citando o Gênesis, ele condenaria uma nova Babel. Torre de cobre, ídolo de silício, deus ex machina: não faltariam imagens, aos irmãos inquisidores, para pregar contra a heresia da inteligência artificial geral (IAG). Do século XIII até nossos dias, seu estilo mudou. Em janeiro de 2025 foi publicada a Antiqua et nova, uma nota doutrinária sobre a inteligência artificial (IA), divulgada pelos dicastérios para a doutrina da fé e para a cultura e a educação – duas das nove congregações da cúria romana, órgão central da Igreja católica.[1] Encontramos novamente nossos pregadores: para a doutrina da fé, o dicastério é o distante descendente da Inquisição romana, a instituição encarregada de combater as heresias. Será que o Vaticano enxerga a IA como uma concorrente no mercado dos serviços de salvação? Em…

