Nas origens da limpeza étnica
O roubo das terras e dos recursos da Palestina não começou com as grandes expulsões de 1948. No período do mandato britânico, o movimento sionista já havia concebido e iniciado um processo de colonização avançada. Este implicava o apagamento das populações, das estruturas e das culturas preexistentes. Assim, não demorou para que eclodissem confrontos
Em meados da década de 1920, o movimento sionista mudou de rumo: desde então, já não se tratava de buscar uma terra de acolhida onde os judeus estivessem em segurança, embora permanecessem à mercê das grandes potências imperiais, mas de colonizar a Palestina, despojando a população autóctone. Seus dirigentes passaram a considerar que essa expropriação era necessária para conquistar um lar nacional. Em 1926, o movimento sionista derrubou, assim, as convenções relativas à propriedade da terra que vigoravam desde as reformas otomanas de meados do século XIX. Essas reformas, cuja consequência foi fazer as terras deixarem de ser propriedade do Estado que as arrendava, permitiram que particulares abastados se tornassem proprietários de vastas extensões fundiárias. Tratava-se, em sua maioria, de não residentes, hoje qualificados como “proprietários absenteístas”. Entre eles estavam notáveis palestinos. Quando era comprada, a parcela era vendida com seus ocupantes e sua aldeia. Era costume que os moradores…

