Islamabad e Cabul, o custo da proximidade
Desde 23 de março, Islamabad se ofereceu para sediar negociações “diretas ou indiretas” entre Washington e Teerã, a fim de avaliar um cessar-fogo. Fazendo fronteira com o Irã, o Paquistão mede as consequências potenciais de uma escalada do conflito, num momento em que ele próprio está às voltas com seu rival histórico, a Índia, e envolvido em um conflito cada vez mais violento com o Afeganistão
Representados nos mapas por um traço contínuo, os 2.640 quilômetros da Linha Durand – nome da fronteira que separa o Paquistão do Afeganistão – parecem mais uma série de pontilhados. Espaço geopolítico poroso e fluido, essa fronteira quase não tem existência concreta. Ela se dilui ao sabor dos intercâmbios entre as regiões pashtuns e oferece um espaço ideal para insurgentes dos dois lados de seu traçado. Esse contexto favorece a intromissão das duas capitais nos assuntos internos da vizinha. Nos últimos meses, a região entrou em uma fase de conflito mais aguda. Os enfrentamentos esporádicos e os embates localizados deram lugar a uma confrontação militar aberta. No fim de fevereiro, o Paquistão realizou ataques aéreos em profundidade no território afegão, visando cidades importantes, como a capital, Cabul, e Kandahar, assim como a antiga base aérea norte-americana de Bagram. As autoridades talibãs afirmaram ter revidado, atingindo posições de fronteira paquistanesas com…

