Oh, Deus! Que beleza é a guerra…
Durante muito tempo, eles encarnaram o tipo humano mais desprezível que se possa imaginar: os traficantes de armas, que Bob Dylan considerava que não “valiam o sangue que corre em suas veias”. Hoje, a União Europeia os exalta como heróis do grande rearmamento moral e militar. Esse mórbido entusiasmo também se espalha pelo setor financeiro, no qual o Estado incentiva os investimentos armamentistas
“Ver um míssil sair de nossas fábricas para ser entregue às forças torna meu trabalho extremamente concreto; tenho minha parcela de responsabilidade nisso.” “Thibault”, técnico cujo depoimento é citado em um vídeo promocional do fabricante MBDA, não está errado. Os produtos de sua empregadora recentemente destruíram escolas, mesquitas e campos de refugiados em Gaza, causando a morte de mais de quinhentas pessoas, entre elas cerca de cem crianças.[1] Essa empresa europeia de armamentos – com uma carteira de encomendas bem abastecida, na casa dos 44 bilhões de euros (Challenges, 23 fev. 2026) – faz de tudo para enfeitar suas mercadorias: um código de ética que “zela pelo respeito às liberdades fundamentais e aos direitos humanos”; ações de sensibilização dos funcionários sobre identidade de gênero, neurodiversidade e menopausa; lançamento de projetos de reflorestamento e preservação dos lençóis freáticos; ou ainda a adoção de “práticas de ecodesign” do material de guerra, a…

