R$ 32,90
O que esperar da COP 30
Com o alvorecer de uma nova Conferência sobre Mudança do Clima, as pessoas voltam a se dividir entre a esperança de um acordo transformador e o ceticismo diante da inação crônica
A Amazônia em tempos de COP
Os mesmos protagonistas do caos climático tentam nos vender a ideia de que é possível sairmos dele pelo esverdeamento de suas próprias práticas historicamente devastadoras. O que está em jogo, afinal, é a transformação das mudanças climáticas em uma nova oportunidade de mercado, garantindo os meios para a expansão ilimitada do sistema capitalista
Crise ecológica, expansão energética, COP 30 e uma possível correção de rota
O atual modelo de “transição energética” adotado pelo Brasil é, na verdade, uma expansão energética baseada no uso extensivo da terra que poderá comprometer nossa capacidade de combater muitas das outras dimensões da crise ecológica
Pobreza energética e transição
Embora o Brasil tenha alcançado quase a universalização do acesso à energia elétrica (99,8%), certas regiões e grupos permanecem vulneráveis: 25 milhões vivem em domicílios sem acesso adequado à eletricidade, 13 milhões de residências utilizavam lenha ou carvão vegetal em 2022 e 46% da população gasta metade da renda familiar com eletricidade e gás de cozinha
“Mexam-se, rapazes!”
Em 30 de setembro, o secretário de Defesa norte-americano – agora rebatizado de secretário da Guerra – pregou, diante de várias centenas de oficiais superiores, a urgência de uma revolução cultural contra um suposto relaxamento reinante em suas fileiras: diversidade, obesidade, falta de treinamento. Um desfile fracassado em Washington, algumas semanas antes, teria provocado sua ira?
O golpe de Estado das empresas de tecnologia autoritárias
Uma nova potência se cristaliza em Washington: o complexo das empresas de tecnologia autoritárias. Mais apressada, mais ideologizada, mais privatizada do que todos os modelos militar-industriais anteriores, ela abala as bases da democracia como nunca se viu desde os primórdios do desenvolvimento digital. O Vale do Silício não se contenta mais em produzir aplicativos; ele constrói impérios
A soberania como mercadoria norte-americana
Em todo o mundo, governos despejam centenas de bilhões para desenvolver uma “inteligência artificial (IA) soberana” – um oximoro, já que essa tecnologia depende das indústrias norte-americanas. Inflada pelas tensões internacionais, a soberania tornou-se uma mercadoria que rivaliza com o ouro, as criptomoedas e os carros de luxo
A Otan, do Atlântico aos Urais
Vladimir Putin acusa os ocidentais de terem traído a promessa de não estender a Aliança Atlântica para o leste – uma tese que estes contestam. Trinta anos após a reunificação alemã, arquivos desclassificados revelam a ofensiva diplomática conduzida por Washington diante de uma Rússia impotente. As reservas dos europeus não foram suficientes para frear a dinâmica expansionista
Na Gagaúzia, a Rússia bate à porta da Europa
Ortodoxa e russófila, essa pequena província autônoma da Moldávia volta seu olhar para o leste. Moscou vê nela um posto avançado precioso na frente ocidental e procura consolidar ali sua influência. No entanto, outras potências também se interessam por essa região de encruzilhada, acostumada às influências imperiais
Por que a direita voltou ao poder na Bolívia
A esquerda, fragmentada e ausente do segundo turno da eleição presidencial, deixa o poder após vinte anos de dominação na Bolívia. Por trás da vitória do candidato Rodrigo Paz, diante de seu concorrente Jorge “Tuto” Quiroga, está uma estratégia: o “capitalismo para todos”. E uma profunda mutação sociológica e cultural, favorável aos representantes do liberalismo
Em Honduras, a esquerda defende seu legado
No poder desde 2022, Xiomara Castro e seus ministros multiplicaram as reformas sociais e as políticas agrárias, mas têm dificuldade em saldar a herança do período aberto pelo golpe de Estado de 2009. Entre as expectativas populares, a resistência da oligarquia e as manobras de Washington, eles se preparam para novas eleições gerais, em 30 de novembro
E o vencedor é… Benjamin Netanyahu!
Destacamento de uma força interina sob a égide dos Estados Unidos, retorno de uma Autoridade Palestina “reformada”, projetos de valorização econômica: o acordo forjado para Gaza pela administração Trump causa uma sensação de déjà-vu. Apresentado pela Casa Branca e seus porta-vozes como um sucesso diplomático excepcional, ele serve antes de tudo aos interesses israelenses e deixa muitas questões em aberto
As inabaláveis lealdades identitárias da sociedade judaico-israelense
A fratura que divide a sociedade judaico-israelense não separa os partidários da democracia de seus inimigos. Ela opõe duas concepções de lealdade: uma voltada para o Estado e outra para a identidade judaica. No entanto, esses campos adversários compartilham pressupostos e cegueiras comuns: uma fé inabalável no caráter “democrático” do regime e a recusa em reconhecer sua dimensão colonial
Narcotráfico, um inimigo conveniente
Assim que foi nomeado ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, ex-prefeito de polícia de Paris, anunciou que a “guerra contra os narcotraficantes” seria uma de suas duas prioridades. Esse tema tem sido alvo de discursos cada vez mais alarmistas, num contexto de analogias com a América Latina. No entanto, a crescente demanda por drogas parece interessar menos do que a caça aos fornecedores
Com os loucos, de novo
Em que pé está a psiquiatria francesa? A grande inventividade terapêutica e institucional que marcou as décadas do pós-guerra esmoreceu. Novas lógicas – cientificistas, securitárias, contábeis – se impuseram. Elas corroem o setor e degradam a oferta de cuidados, em detrimento dos pacientes, de quem os acompanha e de todo o corpo social
Levantar a poeira
Modernidade contra tradição, criação contra patrimônio: por razões políticas e econômicas, a dança contemporânea floresceu na África francófona, e a importância dos balés locais diminuiu ali. Irredutíveis a essa dualidade, as práticas populares mantêm viva uma dança em que se opera a transposição das relações sociais
Que fazer? Guilherme Boulos e os rumos da esquerda
Três meses antes de assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República, em 21 de outubro, Guilherme Boulos lançou o livro Pra onde vai a esquerda?. Na obra, o agora ministro responsável pela articulação entre governo e movimentos sociais faz um diagnóstico da conjuntura e apresenta caminhos para a esquerda retomar a ofensiva
Miscelânea
Confira a resenha dos livros concreto pode ser considerado o lado concreto da abstração capitalista, de Anselm Jappe; Permanecer bárbaro: não brancos contra o império, de Louisa Yousfi e às vezes esqueço como respirar, de Madu Sansil


boa noite