A Otan, do Atlântico aos Urais
Vladimir Putin acusa os ocidentais de terem traído a promessa de não estender a Aliança Atlântica para o leste – uma tese que estes contestam. Trinta anos após a reunificação alemã, arquivos desclassificados revelam a ofensiva diplomática conduzida por Washington diante de uma Rússia impotente. As reservas dos europeus não foram suficientes para frear a dinâmica expansionista
Para o ex-primeiro-ministro francês Alain Juppé, o debate está encerrado: “Depois da queda da União Soviética, fizemos de tudo para associar a Rússia à organização do novo mundo. No entanto, a paranoia de Putin foi se afirmando pouco a pouco. Hoje ele é movido pela ambição de reconstruir o Império Russo ou Soviético. Não temos de nos flagelar neste caso. Somos as vítimas da agressão, não os agressores” (Le Monde, 11 set. 2025). De acordo com essa opinião, amplamente partilhada, as reclamações do presidente russo contra a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seriam fruto de uma reescrita da história. A Rússia não só teria consentido essa aproximação das suas fronteiras, mas também cooperado com Washington e Bruxelas a ponto de dela tirar substanciais vantagens – e até de desejar integrar a própria Aliança Atlântica. Se protegeram os Estados bálticos do imperialismo russo, os Aliados teriam pecado…

