Arquivos Otan - Le Monde Diplomatique

Finlândia e Suécia quebram o ideal nórdico

Durante a Guerra Fria, os países nórdicos eram amplamente percebidos como um modelo de sociedade esclarecida e antimilitarista, comprometida com a justiça social e moralmente superior aos dois polos opostos da modernidade: os Estados Unidos e a União Soviética. As duas encarnações mais celebradas desse modelo foram por muito tempo a Suécia e a Finlândia. …

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Neutralidade, uma arma pela paz

“A menos que o mundo desabe numa catástrofe, apenas um regulamento político poderia restabelecer a paz. […] O acordo teria por objeto estabelecer e garantir a neutralidade dos povos da Indochina e seu direito de dispor de si mesmos tais quais são efetivamente, e cada um sendo inteiramente responsável por seus próprios negócios.” Em seu …

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Rússia x Ucrânia: fake news como propaganda de guerra híbrida

Amanhecemos quinta-feira, 24 de fevereiro, com milhões de pessoas comentando a crise no Leste Europeu nas redes sociais. No entanto, quanto mais complexo e polêmico o assunto, maior parece ser a margem para a desinformação dominar o debate. Nas redes viu-se de tudo: fotos da Palestina sendo atribuídas ao conflito em Kiev; ministro brasileiro acreditando …

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A Otan vai à Ásia

Mas o que fará a França com essa galera? Segundo o contra-almirante Jean-Mathieu Rey, que comanda as Forças Armadas francesas na Ásia-Pacífico,1 o país tem na Ásia-Oceania a presença permanente de 7 mil militares, 15 navios de guerra e 38 aviões. O conjunto foi incrementado, do final de março ao início de junho, por equipamentos …

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França terceiriza sua guerra no Sahel

Em uma cidadezinha a cerca de 20 quilômetros de Gao, no norte do Mali, três carros blindados se posicionam entre as casinhas de terra. Os soldados se dispersam no meio dos burros e tentam vigiar as redondezas, com armas na mão. É preciso esperar cerca de 20 minutos para que os moradores do entorno se …

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A Otan, até quando?

Depois que a adesão do Reino Unido ao Mercado Comum abriu o caminho para o contínuo alargamento da União Europeia, é difícil detectar nela uma política externa digna desse nome. Porque, às vezes, mais é menos; o compromisso palavroso, não a afirmação; o retraimento, não o poder. Hoje, a União Europeia possui uma maioria de …

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Democracia na China, só quando o povo amadurecer…

De um lado, os “democratas”, defensores de um governo pelo povo e para o povo; do outro, os “autoritários”, partidários da ditadura do partido único: essa é a paisagem política chinesa desenhada pela maior parte dos meios de comunicação ocidentais. Na realidade, os dois campos não se mostram tão distantes. Tanto os primeiros como os …

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Washington analisa cenários para uma “guerra aberta”

Enquanto a corrida presidencial norte-americana atinge seu ápice e os líderes europeus estudam as consequências do Brexit, os debates públicos sobre a segurança se concentram na luta contra o terrorismo internacional. Mas, se esse tema satura o espaço midiático e político, ele desempenha um papel relativamente secundário nas trocas entre generais, almirantes e ministros da …

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Provocações atlânticas

Os dirigentes dos Estados europeus membros da Aliança Atlântica querem seguir o exemplo de José Manuel Barroso, que se tornou lobista do Goldman Sachs após ter presidido a União Europeia? Será que eles, em consequência, aproveitaram a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para preparar sua reconversão como conselheiros de uma empresa …

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Os Bálcãs, novo front entre a Rússia e o Ocidente

  rvia, Kosovo, Montenegro e Macedônia estão em uma “linha de fogo” que separa a Rússia do Ocidente? É o que afirmou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, no dia 24 de fevereiro de 2015 perante o Comitê de Assuntos Externos do Senado. Todavia, a Rússia foi a primeira a traçar um paralelo entre …

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A Ucrânia entre a guerra e a paz

Como a guerra na Ucrânia oriental estava retomando um caráter ofensivo em janeiro, os acordos posteriores de Minsk surgiram como fruto de esforços diplomáticos realizados in extremis. Seria preciso todo o peso da dupla franco-alemã para oferecer uma nova possibilidade de paz. A evocação por Washington no início de fevereiro de um possível fornecimento de …

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O Afeganistão não acredita na paz

  Camelia Entekhabifard, jornalista, é autora de Save yourself by telling the truth: a memoir of Iran [Salve-se dizendo a verdade: uma autobiografia do Irã], Seven Stories Press, Nova York, 2007

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A Ucrânia mais dividida do que nunca

Dimitri às vezes retorna para saber das novidades de seus antigos vizinhos, que ainda vivem no bairro em ruínas de Putilovka, a 2 quilômetros do aeroporto de Donetsk, na região oriental da Ucrânia. Explosões carregaram o teto dos edifícios, os incêndios escureceram os muros de tijolos. Alguns combatentes se agacham diante de um fogareiro onde …

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A nova Guerra Fria

Em 1980, para resumir sua visão das relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, Ronald Reagan proferiu esta fórmula: “Nós ganhamos; eles perdem”. Doze anos depois, seu sucessor imediato na Casa Branca, George Bush, felicitava-se pelo caminho percorrido: “Um mundo outrora dividido entre dois campos armados reconhece que existe apenas uma superpotência preeminente: …

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Era preciso matar Kadafi?

  Em 2011, no intervalo de dezesseis dias, duas incursões militares estrangeiras pesadas aconteceram no espaço soberano da África, sem que a União Africana,1 considerada negligenciável, tivesse sido consultada. Entre 4 e 7 de abril, as tropas francesas intervieram na Costa do Marfim. Alguns dias antes, desde 19 de março, as forças da Organização do …

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O estranho destino dos alauitas sírios

O futuro dos alauitas, a minoria à qual pertence a família do presidente Bashar al-Assad e que representa cerca de 10% da população do país, é um dos nós do enfrentamento atual na Síria. Os membros da comunidade se dividem entre seu berço histórico, na montanha que margeia o litoral mediterrâneo, e em cidades como …

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Malabarismo semântico

"O direito de intervenção e o emprego da força se tornaram a regra, em oposição ao angelismo [desejo de pureza absoluta] que vivi na Bósnia”, alegra-se Phillipe Morillon.1 Esse general francês viveu os massacres de Srebrenica em julho de 1995 enquanto participava, na Bósnia-Herzegovina, de uma força das Nações Unidas impotente. Sua função resumia-se a …

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Em nome do humanitarismo

Nunca antes da intervenção aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na República Federal da Iugoslávia (RFI) o grau de confusão entre guerra e humanitarismo tinha ficado tão evidente. A afirmação de um homem tão respeitável quanto Václav Havel de que “as incursões e as bombas não são provocadas por um interesse material, …

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A prova de fogo da ética no Kosovo

Pouco após a chegada das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a Pristina, em junho de 1999, Kathy Sheridan, do Irish Times, foi de carro até Vucitrn, uma sinistra cidadezinha dominada pelas forças de segurança sérvias. Chegando lá, viu um corpo isolado estendido numa rua e muitos oficiais do Ministério do Interior …

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Santa propaganda

"E  todo aquele que discutir a falsidade ou a verdade dos fatos perderá seu tempo; pois a atenção deve voltar-se somente à importância desse mestre, que foi a inspiração para tantos crimes tão tristemente famosos. Não corremos qualquer risco de falar mal de um homem cuja malignidade ultrapassa de longe tudo o que se poderia …

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Havia outra solução para Kosovo

No ano anterior aos bombardeios, em 1998, o Kosovo era um lugar totalmente sinistro. De acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), cerca de 2 mil pessoas tinham sido assassinadas, a maioria albaneses, durante a violenta luta que havia começado em fevereiro de 1997 com as ações do Exército de Libertação do …

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Unilateralismo das grandes potências

A qual “comunidade” se referiam os dirigentes políticos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) quando obrigaram Belgrado a aceitar todas as condições exigidas pela “comunidade internacional”? À comunidade encarnada pela ONU ou apenas àquela formada pela Aliança Atlântica? Por sucessivos deslizes, os discursos oficiais ocidentais relacionam a Otan a instituições multilaterais e confundem …

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Os caminhos da liberdade

Em poucas semanas, e à custa de cerca de mil mortos, os povos tunisiano e egípcio se livraram pacificamente de seus ditadores. Rapidamente, o movimento se estendeu do Marrocos à Síria, passando pela Arábia Saudita e pelo Iraque. Por todos os lados, aspirações comuns como liberdade e dignidade, além da vontade de não violência. Nenhum …

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O impossível acontece

(Protestos contra o governo em Damasco – Síria) Os políticos adoram invocar a “complexidade” das coisas para explicar que seria loucura querer transformá-las. Mas, em certas circunstâncias, tudo se torna muito simples, como por exemplo, quando o ex-presidente George W. Bush ordenou a todos, após o 11 de Setembro, que escolhessem “entre nós e os …

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A Otan na engrenagem Líbia

O regime de Trípoli, atacado pelos caças norte-americanos e europeus, mostrou-se mais combativo que o previsto pelos estrategistas ocidentais. Sobretudo franceses, britânicos e norte-americanos decidiram, diante da urgência, contornar seus compromissos com alguns dos regimes mais tumultuados dos últimos meses e enviar um sinal tardio aos atores dessa “primavera árabe”, cuja chegada não foi nem …

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“Bombons de manhã, napalm à tarde”

Após ter apresentado os combates no Afeganistão como uma “guerra necessária”, o presidente Barack Obama está sendo pressionado pelo general Stanley McChrystal, que ele mesmo nomeou para comandar as forças americanas nesse país, para enviar mais 40 mil soldados. Esta guerra perdura há oito anos. Na Indochina, os Estados Unidos apoiaram um grande número de …

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A volta dos que não foram

Com frequência, a sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é alvo de ameaças. No imenso e desbotado complexo de edifícios situado na periferia de Bruxelas, uma voz dá a advertência pela rede de alto-falantes: “Alerta, antraz!”. As portas de saída são então fechadas, um perímetro de segurança é criado e uma tenda …

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A França na Otan

Nicolas Sarkozy gostaria que seu mandato marcasse a ruptura com um “modelo social francês” ao qual a falência do capitalismo financeiro à moda americana acaba de proporcionar algum alento. Agora, será que ele resolveu acabar com outra tradição francesa, a da independência nacional? Ainda que ele nunca tivesse mencionado tal “ruptura” durante sua campanha eleitoral, …

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A cruzada de Sarkozy

Era quase rotineiro: a França elegia um presidente e, um ano depois, um jornalista fazia o balanço de sua gestão e constatava a manutenção da política externa. Esse foi o consenso imposto em 1958 por Charles de Gaulle e seguido pelos governos que lhe sucederam, tanto de esquerda como de direita. Mas com a eleição …

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O “amigo” inconveniente

É fato que as análises sobre o vínculo transatlântico entre Europa e Estados Unidos vêm se multiplicando. O ex-primeiro-ministro francês Edouard Balladur1, por exemplo, preconiza um novo equilíbrio entre os dois atores na administração da segurança mundial. Afoito, considera “Ocidente” sinônimo de “democracia” em seu último livro. A opinião é compartilhada pelo relatório Towards a …

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