Malabarismo semântico
O argumento da

O argumento da
Do Kosovo ao Afeganistão, as populações foram vítimas e pretextos para intervenções. Quanto às organizações não governamentais, elas foram instrumentalizadas ao longo de guerras que qualificamos sem hesitação de “morais”…
Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…
Denunciando em 1109 os ensinamentos do profeta Maomé, Guibert de Nogent definia o princípio da propaganda de guerra. Nada mudou desde então, exceto a época. De Saddam Hussein a Mahmoud Ahmadinejad, um “novo Hitler” substitui o outro
O “genocídio” dos albaneses no Kosovo, que se fingiu tentar impedir a qualquer custo, seria um genocídio de fato ou a tentativa dos Estados Unidos, via Otan, de impor sua dominação sobre os Bálcãs? Daí a recusa obstinada dos aliados de qualquer solução diplomática
No futuro, o Conselho de Segurança, núcleo institucional da ONU, deveria contar com não cinco, mas uma dezena de membros permanentes com direito de veto, entre os quais Índia, Brasil, Japão, Nigéria e África do Sul
As revoltas árabes se propagaram da Tunísia ao Egito e em seguida ao conjunto do mundo árabe. Nenhum país foi poupado e, apesar das dificuldades, um período sombrio começa a dissipar-se
Sem remeter necessariamente à Revolução Francesa, o ciclo histórico que vive a Tunísia parece familiar. Um movimento espontâneo estende-se, reunindo as mais diversas camadas sociais; o absolutismo balançaSerge Halimi
Em abril de 2011, um mês após os primeiros bombardeios, a operação anti-Kadafi na Líbia – sucessivamente franco-britânica, depois norte-americana e finalmente endossada pela Otan – estagnou-se diante da resistência do regime e do amadorismo da insurreição
Ainda que cerca de 35 mil soldados britânicos, alemães, franceses e italianos estejam combatendo os insurgentes em parceria com militares americanos, todas essas questões parecem não dizer respeito aos dirigentes europeus. Mais que nunca, as decisões da Otan são tomadas em Washington
Ainda que tenha participado de algumas instâncias menores, a França retorna somente agora à Otan, após mais de meio século oficialmente fora. Entre os desafios que tem pela frente estão a integração das ações da Aliança às da União Europeia e a coordenação dos novos membros vindos do Leste
Há 43 anos, o fundador da V República havia se retirado do comando integrado da Otan, época em que a União Soviética mantinha sob controle autoritário um bom número de países da Europa. Agora, Sarkozy anunciou que a decisão do general De Gaulle de retirar o país dessa organização era coisa do passado