Crise ecológica, expansão energética, COP 30 e uma possível correção de rota
O atual modelo de “transição energética” adotado pelo Brasil é, na verdade, uma expansão energética baseada no uso extensivo da terra que poderá comprometer nossa capacidade de combater muitas das outras dimensões da crise ecológica
Há três anos, Lula usou a COP 27, no Egito, como palco para anunciar: “O Brasil está de volta”. Desde então, o governo tem tentado, com muita dificuldade, desempenhar um papel de liderança no cenário internacional, adotando três eixos principais: redução da fome e da pobreza, reforma das instituições de governança global e combate às mudanças climáticas. Com relação ao terceiro ponto, um tema de grande relevância é a chamada “transição energética”. A ênfase nesse assunto está principalmente ligada à atração de investimentos internacionais baseados em uma muito questionável narrativa de que o país teria energia “limpa e barata”. Por esse motivo, o debate sobre “transição energética” deverá ganhar destaque na COP 30, que o governo tenta usar como vitrine para atração de empresas de setores intensivos em energia. A preocupação com as mudanças climáticas é urgente e necessária, e ações de mitigação são fundamentais. Todavia, não se deve perder…

