FUNÇÕES ESTRATÉGICAS CAPTURADAS PELO PRIVADO

O golpe de Estado das empresas de tecnologia autoritárias

Uma nova potência se cristaliza em Washington: o complexo das empresas de tecnologia autoritárias. Mais apressada, mais ideologizada, mais privatizada do que todos os modelos militar-industriais anteriores, ela abala as bases da democracia como nunca se viu desde os primórdios do desenvolvimento digital. O Vale do Silício não se contenta mais em produzir aplicativos; ele constrói impérios

Em julho de 2025, nas entranhas da máquina burocrática do Pentágono, o Exército norte-americano sacrificou silenciosamente um capítulo essencial de sua soberania sob o pretexto da racionalização administrativa. Agregando 75 contratos distintos, um acordo de US$ 10 bilhões assinado com a Palantir Technologies é um dos mais assombrosos da história do Departamento de Defesa. A transação consagra a transferência de funções militares cruciais para uma empresa privada cujo fundador, Peter Thiel, declara abertamente que “liberdade e democracia não são mais compatíveis”.[1] Decisões que dizem respeito à determinação de alvos, aos movimentos de tropas e à análise de inteligência passarão, cada vez mais, a ser tomadas por algoritmos regidos não pelo comando militar, mas por um conselho de administração que presta contas a seus acionistas. O Exército não compra com esse acordo um mero software: cede sua autonomia operacional a uma plataforma da qual não poderá mais prescindir. Além da Palantir,…

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