Com os loucos, de novo
Em que pé está a psiquiatria francesa? A grande inventividade terapêutica e institucional que marcou as décadas do pós-guerra esmoreceu. Novas lógicas – cientificistas, securitárias, contábeis – se impuseram. Elas corroem o setor e degradam a oferta de cuidados, em detrimento dos pacientes, de quem os acompanha e de todo o corpo social
Em 1925, Albert Londres reuniu em volume único os artigos que escreveu ao longo de sua investigação sobre os tratamentos dos doentes mentais na França. Chez les fous ([Com os loucos] Arléa, 2009) descreve um universo aterrador nos hospícios: repressão frenética nos setores dos pacientes agitados; delirantes e catatônicos enclausurados vivos; guardas violentos e desprovidos de empatia; alienistas que ocultavam sua impotência terapêutica atrás de uma arrogância cientificista. O que mudou desde então? Tudo, e à primeira vista para melhor. O acesso às instituições psiquiátricas não é mais tão trancado como antes. Os avanços terapêuticos, em particular em farmacologia, transformaram as práticas de cuidado. A criação da Seguridade Social em 1945 permitiu a cobertura de todas as internações. Desde 1960, a setorização psiquiátrica favorece os cuidados ambulatoriais e desvincula a patologia mental do estigma. No entanto, um novo panorama, um século depois, permite constatar, por trás dos progressos alcançados, evoluções…

