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A disputa geopolítica
No dia 9 de julho, dois dias depois da declaração de Lula no Brics, Trump anunciou sua disposição de taxar as exportações do Brasil em 50%
Léo Lins e a lógica do racismo recreativo
A retórica da censura cultural é uma reação dos que lutam pela continuidade de uma lógica social que permite a concentração de oportunidades nas mãos de alguns à custa da dignidade de outros. Eles não estão defendendo o direito de serem politicamente incorretos; estão defendendo interesses coletivos decorrentes de uma cultura pública construída em torno da degradação moral de minorias raciais
E do identitarismo branco, ninguém fala?
Ter a crítica do identitarismo progressista como pressuposto da crítica é fundamental, mas e o outro identitarismo: aquele que se arroga universal, incolor e genérico?
Suspeição e criminalização de jovens negros
A atuação das agências de segurança pública e do sistema de justiça no Brasil se orienta mais pela qualificação moral das pessoas envolvidas do que pelos fatos por elas cometidos: morar na favela, usar certas roupas, a cor de pele, entre outras circunstâncias, são sistematicamente colocadas com independência dos fatos investigados e julgados
A discriminação como arma da extrema direita
Um debate acalorado: os gigantes da inteligência artificial transformaram seus usuários em servos e vassalos condenados – como na Idade Média – a trabalhar de graça e a pagar a renda? Ou aplicam à risca, porém com produtos sofisticados, as velhas receitas do capitalismo industrial? Para enfrentá-los, será preciso escolher entre Dom Quixote e Karl Marx
As big techs nos fizeram voltar à Idade Média?
Um debate acalorado: os gigantes da inteligência artificial transformaram seus usuários em servos e vassalos condenados – como na Idade Média – a trabalhar de graça e a pagar a renda? Ou aplicam à risca, porém com produtos sofisticados, as velhas receitas do capitalismo industrial? Para enfrentá-los, será preciso escolher entre Dom Quixote e Karl Marx
Combater a selvageria nuclear
Oitenta anos após o aniquilamento de Hiroshima e Nagasaki por bombas atômicas norte-americanas, as políticas de defesa baseadas na dissuasão vivem um renascimento de popularidade impulsionado, em especial, pela guerra na Ucrânia e pelos conflitos no Oriente Médio. Entretanto, ao mesmo tempo, uma maioria inédita de Estados-membros das Nações Unidas questiona a ideia da segurança fundamentada no poder nuclear
Por que Putin é tão inflexível em relação à Ucrânia?
Intelectual marxista e militante do movimento altermundialista, Boris Kagarlitsky é figura importante da esquerda russa. Na prisão em que se encontra em razão de sua oposição à guerra contra a Ucrânia, ele prossegue sua reflexão sobre a ordem internacional e o lugar da Rússia nesse contexto. Neste artigo, em coautoria com Aleksei Sakhnine – militante exilado na França e que luta por sua libertação –, eles identificam divisões no campo do poder que podem se acentuar
Por que o Japão tem medo do vermelho?
A primeira edição das obras completas de Karl Marx e Friedrich Engels não é alemã, inglesa ou francesa. Ela surgiu no Japão, improvável país do marxismo, que deu origem a um dos maiores partidos comunistas do mundo. Com o passar dos anos, a legenda abandonou a perspectiva socialista, mas sua ambição de libertação nacional ainda causa preocupação
A diplomacia do dromedário
Figuras tradicionais do Golfo antes da era do petróleo, os camelos-árabes são hoje alvo de uma empolgação esportiva que se alia a um claro interesse político por parte dos monarcas da península, em especial os dos Emirados Árabes Unidos. Símbolo de autenticidade, as corridas de camelos – muito populares – são exportadas e reforçam a comunicação de um regime cujas ambições regionais estão bem definidas
As duas faces da oposição cubana
Desde 1959, Cuba sofre com a hostilidade dos Estados Unidos. Washington financia diversos grupos de oposição de extrema direita estabelecidos na Flórida. A profunda crise econômica que assola a ilha lhes oferece uma nova oportunidade para enfraquecer Havana. Entre a repressão governamental e a instrumentalização, uma nova geração de militantes luta, em solo cubano, para dar expressão política à sua revolta
O lobby pró-Israel na França
Enquanto a Palestina se torna a cada vez mais um campo de concentração, as críticas piedosas e as proclamações vazias da diplomacia francesa levantam questionamentos. Como Paris, outrora influente no Oriente Médio, pôde se tornar tão ausente nos últimos dois anos? Quando a França adotará sanções contra Israel? Enquanto isso, um poderoso conglomerado político-midiático se opõe a essas medidas
O ônibus que Macron jamais vai pegar
Consequências da lei impulsionada em 2015 pelo então ministro da Economia, Emmanuel Macron, que delegou às empresas privadas de ônibus a responsabilidade pelas ligações intermunicipais na França
O expurgo de jornalistas que serviram aos nazistas
Após a derrota dos nazistas e de seus colaboradores franceses, seria concebível que jornalistas cujos veículos recomendaram a execução de membros da Resistência e a deportação de judeus retomassem o trabalho? A resposta foi negativa. A Libertação da França foi seguida, portanto, de um expurgo geral da profissão. Às vezes bem detalhados, os processos estão disponíveis ao público e seu exame nos ensina muito
A bordo do Armonia, o conforto do isolamento
Imaginava-se que o turismo de cruzeiro poderia ter sido abalado pelo naufrágio do Costa Concordia e depois afundado pela Covid. Na realidade, o setor nunca esteve tão bem, com 34,6 milhões de passageiros no mundo em 2024, 9% a mais que no ano anterior e 16% a mais que em 2019. Ao embarcar de forma anônima num navio da MSC entre Veneza e Mykonos, compreendem-se melhor os mecanismos desse sucesso comercial
Um grande sono…
Novela exibida na France Télévisions com um título promissor, Un si grand soleil [Um grande sol] seria um programa perfeito para nos aliviar das dificuldades da vida social e, sobretudo, das invasões da política. Mas será mesmo? O que uma série tão vista faz com quem a assiste – inclusive politicamente? Ainda mais quando a produção está convencida de não ter nada de “política”
Miscelânea
Confira as resenhas dos livros “Agenciamentos Terroristas: Homonacionalismos em tempos queer”, de Jasbir K. Puar, “Café com Caxiri”, de Edgard Zanette e “Corpo lúcido”, de Flávia Santos

