CONTROVÉRSIAS SOBRE O TECNOFEUDALISMO, UM CONCEITO EM VOGA

As big techs nos fizeram voltar à Idade Média?

Um debate acalorado: os gigantes da inteligência artificial transformaram seus usuários em servos e vassalos condenados – como na Idade Média – a trabalhar de graça e a pagar a renda? Ou aplicam à risca, porém com produtos sofisticados, as velhas receitas do capitalismo industrial? Para enfrentá-los, será preciso escolher entre Dom Quixote e Karl Marx

De Paris a Madri e de Roma a Berlim, um espectro medieval vestido com moletom de capuz assombra a esquerda europeia – o espectro do “tecnofeudalismo”. De um lado, Jean-Luc Mélenchon, principal liderança da esquerda francesa, exige a taxação dos lucros de nossos novos “senhores do setor digital”; de outro, afirma que a inteligência artificial (IA) “não é algo exterior à realidade capitalista: ela se insere num tecnofeudalismo em que alguns atores capturam a renda”. Lucros ou renda? Capitalismo ou feudalismo? A economia de Mélenchon assemelha-se a um gato de Schrödinger vagando pelas ruas de Palo Alto: ela existe simultaneamente em dois estados, viva e morta, capitalista e feudal. A vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, também protesta contra “o tecnofeudalismo do magnata Elon Musk”. Os bilionários da tecnologia, ela adverte, querem transformar “as democracias em monarquias a serviço das grandes empresas”. Um líder ecologista italiano, Angelo Bonelli, acusa o mesmo bilionário…