A diplomacia do dromedário
Figuras tradicionais do Golfo antes da era do petróleo, os camelos-árabes são hoje alvo de uma empolgação esportiva que se alia a um claro interesse político por parte dos monarcas da península, em especial os dos Emirados Árabes Unidos. Símbolo de autenticidade, as corridas de camelos – muito populares – são exportadas e reforçam a comunicação de um regime cujas ambições regionais estão bem definidas
As bandeiras tremulam sob o vento quente, as provas chegam ao fim e, enfim, é hora da premiação. Estamos em maio de 2025, em Tan-Tan, cidade do sul do Marrocos. Um cartaz celebrando a amizade entre o reino africano e os Emirados Árabes Unidos (EAU) domina o pódio onde os proprietários dos dromedários vencedores recebem, cada um, um troféu em forma desse animal emblemático do deserto. Nele, as bandeiras dos dois países se entrelaçam. Quem entrega os prêmios é o major-general Fares Khalaf al-Mazrouei, ex-comandante-chefe da polícia de Abu Dhabi. A presença dessa figura de destaque evidencia que o evento não se restringe ao âmbito esportivo. Trata-se de uma oportunidade para a rica petromonarquia do Golfo fortalecer sua influência no Marrocos, onde promoveu essas competições pela primeira vez em 2015 durante um festival que celebrava a cultura nômade na presença de cerca de trinta tribos.[1] Nesse “camelódromo” – o mais…

