Suspeição e criminalização de jovens negros
A atuação das agências de segurança pública e do sistema de justiça no Brasil se orienta mais pela qualificação moral das pessoas envolvidas do que pelos fatos por elas cometidos: morar na favela, usar certas roupas, a cor de pele, entre outras circunstâncias, são sistematicamente colocadas com independência dos fatos investigados e julgados
A prisão de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, mais conhecido como MC Poze do Rodo, tornou-se recentemente assunto de inúmeras reportagens, artigos e conteúdos para mídias digitais. Neste texto, propomos algumas reflexões ao relacionarmos os argumentos mencionados sobre o caso de MC Poze com outros acionados por mulheres, em maioria mães, que compõem movimentos de familiares de vítimas de violência do Estado. Buscamos assim partir do caso da prisão do músico para expor experiências que, de forma recorrente e insistente, afetam moradores de favelas e periferias e, em especial, dizem respeito à luta por justiça e memória de mães e familiares de jovens negros. Algemado, descalço e sem camisa MC Poze foi preso na madrugada de uma quinta-feira, 29 de maio, na casa onde mora com a esposa, Viviane, e os três filhos, em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro. Os…

