As duas faces da oposição cubana
Desde 1959, Cuba sofre com a hostilidade dos Estados Unidos. Washington financia diversos grupos de oposição de extrema direita estabelecidos na Flórida. A profunda crise econômica que assola a ilha lhes oferece uma nova oportunidade para enfraquecer Havana. Entre a repressão governamental e a instrumentalização, uma nova geração de militantes luta, em solo cubano, para dar expressão política à sua revolta
Onze de julho de 2021. Enquanto em toda a América Latina persistem medidas de distanciamento social e de confinamento em resposta à pandemia de Covid-19,[1] multidões se aglomeram em Havana e no restante de Cuba. Ao bradarem “Liberdade!” e entoarem “El pueblo unido jamás será vencido!”, canto emblemático dos manifestantes, muitos cubanos expressam seu desamparo diante do colapso da economia do país. Naquele dia e nas semanas seguintes, mais de mil pessoas foram detidas, incluindo centenas que receberam penas de prisão severas. Quatro anos depois, Antonio[2] recorda aquele dia com o olhar vazio. “Meu filho virou um velhinho”, lamenta sua mãe, Gabriela, acomodada ao seu lado. No bairro pobre da periferia da capital, a família de seis pessoas vive em uma casinha no alto de uma escada estreita que dá numa rua barulhenta. Sala e cozinha ocupam pouco mais de 10 metros quadrados. É final de tarde. A energia elétrica foi…

