Fazer a pergunta certa
Em 2017, Portugal contava com 400 mil estrangeiros, e a extrema direita era inexistente. Oito anos depois, abriga cerca de 1,6 milhão (15% da população total), e a extrema direita se impôs como segunda força no Parlamento. Constata-se um pouco por toda a Europa que a correlação entre o aumento dos fluxos migratórios e a ascensão de formações xenófobas parece quase mecânica.1 “O povo francês não quer mais imigração”, deduz Marine Le Pen, antes de convocar um referendo. Mas qual seria a pergunta certa a fazer? Voltemos a Portugal, em 2008, bem antes do recente boom migratório. O país, atingido pela crise financeira, encontrava-se à beira da bancarrota. Em troca de socorro, o FMI e a União Europeia exigiam reformas – Lisboa deveria “modernizar” sua economia, isto é, privatizar, cortar gastos públicos, desregulamentar o mercado de trabalho. Era preciso ganhar competitividade para atrair investidores. Portugal esforçou-se ao máximo para trazer…

