O ônibus que Macron jamais vai pegar
Consequências da lei impulsionada em 2015 pelo então ministro da Economia, Emmanuel Macron, que delegou às empresas privadas de ônibus a responsabilidade pelas ligações intermunicipais na França
“Sem sinal.” A tela com informações não mostra mais nada. Algumas dezenas de pessoas cercam o único agente presente. Vestindo um colete amarelo e munido de seu scanner, ele passa código de barras atrás de código de barras. Não muito longe dali, Veerle aproveita um raio de sol. Partindo cedo de La Souterraine, a mulher, natural de Flandres, fez escala em Limoges; agora está em Paris e ainda precisa chegar a Bruxelas. Sua irmã acabou de falecer. “Peguei o transporte mais barato.” A brisa treme os galhos, e a trabalhadora desempregada indica a estação com a bituca de cigarro: “Está escuro, não tenho a menor vontade de esperar lá dentro”. Espremida entre a Accor Arena, a Cinemateca Francesa e a via expressa, a rodoviária guarda seu charme. Para encontrá-la, seguimos as malas com rodinhas pelo parque de Bercy até os arcos que dão acesso ao salão; no interior, há oitenta…

