O ônibus que Macron jamais vai pegar
Consequências da lei impulsionada em 2015 pelo então ministro da Economia, Emmanuel Macron, que delegou às empresas privadas de ônibus a responsabilidade pelas ligações intermunicipais na França

Consequências da lei impulsionada em 2015 pelo então ministro da Economia, Emmanuel Macron, que delegou às empresas privadas de ônibus a responsabilidade pelas ligações intermunicipais na França
Não há algo de hipócrita em nossa surpresa? Uma crise institucional, o Reunião Nacional como o principal partido da França, um “grande jogo” político: a conjuntura das últimas semanas se inscreve em uma história de pelo menos quarenta anos. A falta de compromisso das classes dirigentes, sua arrogância cultural, seu desprezo social e seu segregacionismo espacial prepararam o terreno para a extrema direita (pág. 2). Atualmente, a xenofobia e o antifeminismo do Reunião Nacional não repelem mais certas parcelas das elites (pág. 18). À frente de um Estado do qual as classes populares desconfiam (pág. 16), um presidente enfraquecido tenta improvisar. Porém, como mostra seu balanço diplomático, esse método tem limites (ver abaixo)
Algumas semanas após a ascensão de Emmanuel Macron ao poder, um de seus partidários, o atual presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional, resumiu assim a orientação econômica e social que seria adotada: “Objetivamente, os problemas deste país implicam soluções favoráveis aos ganhos elevados”
Análise dos artigos publicados pelos dois maiores jornais franceses: Le Monde e Le Figaro
Durante um mês, a cobertura midiática da Nupes foi, a um só tempo, maciça e negativa. Entretanto, em vista do bom desempenho da esquerda na noite do primeiro turno da eleição legislativa, as chefias editoriais substituíram seus disparos cotidianos por uma estratégia do tipo “tapete de bombas”
Ainda que os votos de Emmanuel Macron cresçam de acordo com o aumento da renda e a idade dos eleitores, esses dados não resumem a sociologia eleitoral da última eleição francesa. As posições em relação à Europa, vacinas, islamismo e crise climática tiveram um papel decisivo, assim como o nível de desconfiança em relação ao “sistema”
O resultado das eleições legislativas na França de 12 e 19 de junho vai mostrar com clareza a amplitude do mandato do presidente Emmanuel Macron e os contornos de seu programa. O esgotamento do sistema político francês, bem como a ausência gritante de representatividade fazem aumentar o desalento geral, num momento em que cresce a insatisfação social
Contra a opinião das organizações de trabalhadores e empregadores, o presidente Emmanuel Macron está obstinado a reformar a Previdência. A uniformização, o modelo proposto, implica a elevação da idade da aposentadoria integral e arrisca levar empobrecimento para a maioria. A reflexão sobre um verdadeiro modelo universal passa por um caminho bem diferente.
No dia 16 de julho, quando os deputados confirmaram a escolha dos chefes de Estado e de governo, as proclamações de campanha – “progressistas” contra nacionalistas – novamente cederam lugar a uma configuração política completamente diferente. Os parlamentares socialistas votaram ora contra a deputada Von der Leyen (franceses e alemães, em particular), ora a favor (espanhóis e portugueses).
Não se pode duvidar da capacidade estratégica de Macron e de sua equipe. Fundar um partido do zero, ganhar as eleições presidenciais na primeira disputa e ainda eleger mais da metade dos deputados da Assembleia Nacional não são realizações desprezíveis. Mas, como era previsível, o capital político obtido naquele pleito não foi suficiente para solucionar a intrincada rede de contradições, falsas conciliações e ambiguidades que compunham a equação de sua vitória. Após a posse, seria necessário e urgente mergulhar no campo prático, que por sua própria natureza é avesso a frases feitas.
Judeus foram assassinados na França e nos Estados Unidos por antissemitas. Tal tragédia não deveria servir como arma ideológica para Trump, para o governo israelense e para intelectuais falsários
A combinação de uma irritação que consegue se exprimir coletivamente, da falta de mediação, dos modos de ação direta e da utilização da força policial para contê-los explica em grande parte as explosões de violência.