POR QUE O GOVERNO FRANCÊS POUPA TEL AVIV?

O lobby pró-Israel na França

Enquanto a Palestina se torna a cada vez mais um campo de concentração, as críticas piedosas e as proclamações vazias da diplomacia francesa levantam questionamentos. Como Paris, outrora influente no Oriente Médio, pôde se tornar tão ausente nos últimos dois anos? Quando a França adotará sanções contra Israel? Enquanto isso, um poderoso conglomerado político-midiático se opõe a essas medidas

Há quase dez anos, a vitória do Brexit e depois a de Donald Trump levaram os liberais derrotados a reconfigurar o espaço ideológico de modo tão rudimentar que ninguém poderia mais se enganar. De um lado, estariam os malvados “populistas” e “autoritários” que reuniam, sem nenhum critério, Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro etc. Do outro, os gentis “liberais” e “progressistas” aglutinavam líderes como Angela Merkel, Hillary Clinton, Joe Biden, Justin Trudeau e Emmanuel Macron.[1] Esse rearranjo de clivagens e alianças no mundo ocidental esbarrava, contudo, em um obstáculo: Israel. Democratas ou autocratas, os governos europeus – e ainda mais os norte-americanos – se abstiveram de sancionar ou mesmo de criticar de forma muito dura as ações ilegais desse país e de seus governantes. Amigo de Trump, queridinho de Bolsonaro e celebrado pelo primeiro-ministro húngaro, o premiê israelense não escondia, porém, sua hostilidade ao Estado de direito;…

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