Austeridade, o banquete dos acionistas
Um presidente da República marginalizado, um primeiro-ministro de saída, uma população exasperada. O poder francês vai agarrar-se ao seu plano de austeridade, que consiste em extorquir trabalhadores, aposentados e doentes para financiar o Exército e reequilibrar as contas? E o Estado continuará a alimentar, a fundo perdido, os lucros das grandes empresas?
No coração do verão, o choque quase passou despercebido. Talvez porque o plano apresentado em 15 de julho pelo primeiro-ministro francês para reequilibrar as contas públicas tenha concentrado toda a atenção. Na realidade, a ofensiva orçamentária do governo nem sequer se dá ao trabalho de fingir equidade. Tributação dos doentes, corte dos direitos dos desempregados, congelamento das transferências de renda sociais, desmantelamento dos serviços públicos, supressão de dois feriados etc.: o custo do grande rearmamento europeu pesará sobre os mais frágeis. Pois é desses “desvalidos” que vem todo o mal! Na cadeia de extrema-direita CNews, o deputado macronista Mathieu Lefevre tentava, em 4 de agosto, aplacar o eleitorado do Rassemblement National (extrema direita) denunciando “um sistema em que há gente que se aproveita, que engana, e outros que trabalham duas vezes mais para financiá-lo”. Voltar do hospital de táxi quando ainda se tem força para andar? “Uma punhalada no pacto…

