LIÇÕES PARA ENCARAR OS IMPACTOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Quando os sindicatos enfrentaram a digitalização

Ao longo da década de 1970, o mundo do trabalho sofreu em cheio a primeira grande onda de informatização. Os documentos produzidos na época pelas principais centrais sindicais francesas atestam sua combatividade e uma crítica incisiva ao fenômeno. Meio século depois, eles nos oferecem ferramentas afiadas diante do avanço da inteligência artificial

Era a época em que o extremo centro reformista que dominava as instituições francesas fazia da inovação tecnológica uma prioridade. Quando o desemprego em massa surgiu e a austeridade orçamentária ameaçou, investimentos enormes foram direcionados ao desenvolvimento da informática. Segundo os sindicatos, os líderes empresariais fixaram um objetivo claro: “aumentar o processamento em massa”. Tratava-se, assim, de libertar os trabalhadores das tarefas mais penosas, racionalizar a organização do trabalho, tornar mais fluidos os processos de produção e elevar a produtividade. Contudo, muitos trabalhadores afetados por esses desdobramentos compartilham a sensação de terem sido “despojados de qualquer iniciativa em favor de um conjunto de instruções ‘técnicas’ ditadas por quem tem poder”. Essa constatação não diz respeito à enésima campanha de “modernização” econômica lançada sob a presidência de Emmanuel Macron. Ela provém de um relatório intitulado Les Dégâts du progrès [Os danos do progresso], publicado em 1977 pela Confederação Francesa Democrática do…

Leia mais sobre o tema: