Uma docilidade bem mal recompensada
Privada de um pretexto sério e de uma justificativa legal, a agressão israelo-americana ao Irã evidencia a irrelevância da Europa diante de uma guerra que afeta sua segurança e ameaça sua economia. Esse apagamento é ainda mais espetacular porque Washington havia rompido anteriormente um tratado com o Irã negociado por todos os europeus
A impotência febril dos dirigentes europeus diante da guerra israelo-americana desencadeada em 28 de fevereiro de 2026 contra o Irã e o direito internacional traduz o desamparo de uma classe dirigente formada para se conformar a um “modelo” norte-americano que se tornou indefensável. Misturam-se aí o pânico de contrariar Donald Trump, a apreensão diante da penúria energética, o temor de uma crise econômica, o receio de uma derrocada ucraniana por falta de apoio suficiente dos Estados Unidos e, por fim, a vertigem de uma retomada comercial e diplomática da Rússia. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os líderes britânico Keir Starmer, alemão Friedrich Merz e francês Emmanuel Macron, até agora, receberam cada ato de força do presidente Trump e de seu aliado (ou tutor) israelense com uma resposta em dois tempos: primeiro cedem, depois choram. A coerção por meio de tarifas alfandegárias, a imposição de dobrar…

