PINTURA LATINO-AMERICANA

Esteticismo imperial

A consagração da pintura abstrata latino-americana nas décadas de 1960-1970 deve muito a um crítico de arte apaixonado, dotado de poderes institucionais. A preocupação estética dissimulava poderosos interesses políticos. Essa iniciativa pacífica insere-se em uma longa história: a das intervenções de Washington em seu “quintal” do sul

Na América Latina, como em outros lugares, a Guerra Fria também foi travada no terreno cultural. O cubano José Gómez Sicre (1916-1991), que desempenhou papel eminente nessa área, preferia apresentar suas preocupações como puramente artísticas. “Meu papel de comissário de exposições e de crítico consistiu em orientar, [...] apresentar e promover novos artistas da América Latina. No melhor dos casos, estabelecer um novo padrão de valores artísticos, ajudar a definir um novo cânone”, explicava o dirigente da divisão de artes visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Organização dos Estados Americanos (OEA) de 1946 a 1976.[1] Antes de Gómez Sicre, explica o pintor peruano Fernando de Szyszlo, “existia uma arte argentina ou mexicana, peruana ou venezuelana”. O cubano, por sua vez, defendeu a ideia de uma forma de expressão propriamente “latino-americana”. “Não é apenas a noção de arte latino-americana que pertence a Gómez Sicre”, continua Szyszlo, “mas a própria ideia…

Leia mais sobre o tema: