SUTILEZAS DA HEGEMONIA

O fanático pela nuance

A generalidade do discurso de Jean Birnbaum, chefe do suplemento literário Le Monde des Livres, baseada em ideias vagas ou consensuais – não reproduzir os erros do passado, defender a democracia – apresenta a enorme vantagem de não incomodar ninguém

O ar está viciado. As pessoas sufocam. Nas redes sociais, os ânimos se exaltam, as invectivas pipocam. Já não se trocam argumentos; nos fechamos em posições herméticas. Não nos entendemos mais ao pensar. Inquieto com a “twitterização do debate intelectual”, Jean Birnbaum, terapeuta-chefe no Le Monde des Livres [suplemento literário do jornal francês de mesmo nome] há quinze anos, concebeu um método revolucionário, à base de “exercícios simples”. Por exemplo: “quando você discorda, mesmo violentamente, de alguém, tente considerar que o outro, mesmo que pareça um troll absurdo, pode ter um ponto de vista válido”. Recuse “ver o mundo em preto e branco”. Ou experimente “o humor”, “a autodepreciação”. Assim, você adquirirá “a coragem da nuance”. Qualquer um pode praticar esses profundos exercícios espirituais em casa aos sábados pela manhã, munido do livro homônimo[1] e enquanto saboreia um matchá reparador. Se isso não for suficiente, seu inventor também oferece seus…

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