De Fidel a Bukele: um novo tempo do mundo
O horizonte revolucionário encarnado por Fidel Castro projetava a mudança social como futuro, enquanto o populismo punitivista de Bukele propõe securitizar o existente. A consciência orgulhosa do passado já não alimenta horizontes futuros. Nesse deslocamento entre a mudança social e a punição, revela-se um encolhimento de expectativas
®1. A segunda onda progressista não vingou na América Latina. A maré sobe, mas para outro lado. A tendência é o salvadorenho Nayib Bukele. Desde que declarou guerra às gangues em 2022, o “ditador mais cool do mundo” renovou o estado de exceção 45 vezes (e contando), prendeu 85 mil pessoas, atingiu a maior taxa de encarceramento do planeta e construiu uma prisão para 40 mil detentos, oferecendo vagas para Donald Trump – uma nova commodity geopolítica. A violência das maras diminuiu, conferindo popularidade a quem atropelou a Constituição para se reeleger. Mais do que um populismo punitivista, Bukele encarna o ocaso do social: “Podemos ter hospitais, escolas [...], mas para que servem se podemos ser mortos em qualquer lugar? Não servem para nada. Resolver o problema da segurança é resolver um problema de raiz”.[1] A questão social é subordinada e reduzida à segurança. Governar é resolver o mal na…

