A guerra é meu ofício
A derrota é sempre culpa dos outros: dos pacifistas ou da quinta coluna, daqueles que não entregaram armas suficientes, não enviaram soldados suficientes, não lançaram bombas suficientes
Em 4 de janeiro, o ano mal havia começado e o presidente dos Estados Unidos voltava a Washington em seu avião. Estava bem-disposto. De Mar-a-Lago, onde jogara golfe, também assistiu, ano vivo na véspera, ao sequestro de seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, por um comando do Exército norte-americano. Surpresa total, execução perfeita. Desse modo, Donald Trump queria falar com os jornalistas mais do que de costume. À vontade, em poucos minutos ele ameaçou seis países ao mesmo tempo. Aqueles que acabara de atacar, como Venezuela e Cuba – 32 guarda-costas cubanos de Maduro foram mortos –, mas também o Irã, o qual já havia bombardeado sete meses antes. À lista somam-se Colômbia, México e Groenlândia. Ao seu redor, os jornalistas se esbaldavam.1 Assim que um país era colocado em questão, eles incentivavam Trump a bater mais forte: “Então haverá uma operação dos Estados Unidos na Colômbia?”; “O senhor está pensando…

