Mudar o regime ou torná-lo vassalo
Que os Estados Unidos derrubem um governo estrangeiro não é novidade. Mas todos os golpes de força norte-americanos não obedecem ao mesmo modelo. O regime change neoconservador, praticado nos anos Bush, não parece contar com a simpatia do atual inquilino da Casa Branca
É preciso ter uma memória muito seletiva para ver no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores, em 3 de janeiro último, o “retorno” de Washington a uma política “imperialista” que não teria vigorado desde 1945, se não desde 1918. A súbita atribuição desse adjetivo aos Estados Unidos por órgãos de imprensa que até então o reservavam à Rússia tem algo de falsamente ingênuo. Pois – para nos limitarmos ao período pós-Guerra Fria – o retorno de Washington à prática de operações militares de grande envergadura, sob a presidência de George H. W. Bush, depois de longos anos de “síndrome vietnamita”, foi inaugurado em 1989 pelo que já havia sido apresentado como uma operação policial antidrogas: a invasão do Panamá e o sequestro do ditador Manuel Noriega, em flagrante violação do direito internacional. O caminho estava assim aberto a um novo ciclo de intervenções norte-americanas,…

