ELEIÇÕES 2026

Tendência de renovação baixa na Câmara e alta no Senado

O país se vê mais uma vez diante de um pleito em que a lógica de preservação do poder e de confronto ideológico estéril ameaça se sobrepor ao interesse nacional

Preparem-se para um pleito de contrastes extremos. O Congresso que resultará da eleição de 2026 será produto de uma esquizofrenia eleitoral: de um lado, uma Câmara dos Deputados liderada pelo Centrão, cada vez mais cristalizada e onde a permanência é a regra. Do outro, um Senado à beira de uma ruptura, com força de oposição radical ou de extrema direita mobilizada não para legislar ou construir, mas para retaliar ou demolir. Esse é o retrato de um sistema que, ao empoderar excessivamente os parlamentares, distorce a representação e coloca a governabilidade sob perigo real e imediato. A raiz desse desequilíbrio é uma infraestrutura de poder que transforma a reeleição de deputados em quase certeza matemática. Os incumbentes não competem em condições iguais; eles disputam com a máquina do Estado a seu favor. O pacote é avassalador: acesso prioritário a um fundo eleitoral bilionário, poder discricionário sobre emendas impositivas (cujo valor…

Leia mais sobre o tema: