Europa enfrenta impasse diante de Moscou
Celebrada como um símbolo de unidade e vigor, a política europeia de apoio à Ucrânia apresenta uma contradição importante: ao prolongar uma guerra que não pode ser conduzida sem os norte-americanos, os europeus se colocaram nas mãos dos Estados Unidos. A que preço?
Não haverá paz na Ucrânia antes do aniversário de quatro anos do conflito, em 24 de fevereiro. A nova rodada de negociações lançada no fim de novembro ficou estagnada. De um lado, o Kremlin considera o Donbass, já ocupado em três quartos, uma garantia mínima e pretende assegurar-se de que uma forma de reconhecimento internacional e diversas restrições privarão Kiev dos meios de recuperá-lo militarmente.[1] Do outro, os europeus se opõem a qualquer mudança de fronteira pela força, o que constituiria um precedente e, segundo eles, incentivaria Moscou a prosseguir sua expansão. Dizem-se, portanto, ainda prontos a “apoiar a Ucrânia a longo prazo, ao mesmo tempo que reforçam a pressão sobre a Rússia visando a uma paz justa e duradoura”.[2] Contudo, na falta dos meios necessários, essa firmeza os obriga a se colocarem numa dependência cada vez maior em relação a Washington, principal fornecedor de armas e pilar das garantias…

