ENTREVISTA AARON BENANAV

Futuro do trabalho será definido pelas relações sociais, não pela tecnologia

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, o historiador e sociólogo Aaron Benanav fala sobre seu último livro, Automação e o futuro do trabalho. Na obra lançada pela Boitempo em novembro, o professor da Universidade Cornell, Estados Unidos, desfaz mitos sobre o fim do emprego provocado pela tecnologia, identifica as causas estruturais da precarização no mundo do trabalho atual e aponta caminhos para uma sociedade pós-escassez

Gostaria de começar por duas percepções amplamente compartilhadas e aparentemente contraditórias. A primeira é a sensação de que o avanço tecnológico está acabando com os empregos, e de forma cada vez mais rápida, anunciando um futuro sem trabalho. Isso está mesmo acontecendo? Não. Tornou-se mais difícil para as pessoas encontrar emprego, e a tecnologia seria uma suspeita óbvia, mas as evidências não sustentam a afirmação de que estamos entrando num futuro sem trabalho, em que novas tecnologias destroem empregos a um ritmo acelerado. Se isso estivesse acontecendo, esperaríamos ver um crescimento muito maior da produtividade e muito mais movimentação entre ocupações. Em vez disso, o crescimento da produtividade diminuiu e, nos Estados Unidos, a rotatividade caiu ao nível mais baixo em sessenta anos. O problema central não é a destruição rápida, mas a fraca geração de empregos. Frequentemente isso é descrito como “crescimento sem emprego”, mas essa formulação engana: a…

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