Na Cisjordânia, o vinho a serviço da colonização
Nos territórios ocupados da Cisjordânia, os vinhedos se expandem cada vez mais. Produzidos em terras confiscadas dos palestinos e com o apoio incondicional de Tel Aviv, os vinhos israelenses prosperam e são exportados. Bastam algumas dissimulações para fazer esquecer sua origem e colocá-los no mercado europeu
Fileiras de vinhedos recém-plantados margeiam as colinas ondulantes da paisagem árida. Perto dali, vemos uma bicicleta infantil abandonada, uma mala velha e uma bota empoeirada: vestígios de uma comunidade palestina recentemente expulsa pelos colonos israelenses. Um homem idoso, Issa Abu al-Qabach, conhecido como Abu Safi, conta como eles o expulsaram de sua casa em Khirbet Ar-Rathim. “Não paravam de nos ameaçar, toda noite, todo dia, toda hora, nos humilhavam... Cinco deles me bateram com seus M16, bem entre os olhos. Disseram-me: ‘Você morrerá se não for embora, tem cinco dias para partir’.” As colinas ao sul da cidade de Hebron estão entre as regiões onde a viticultura mais avança. À medida que os ataques se intensificam, as terras palestinas são esvaziadas, confiscadas e, em seguida, integradas às colônias, abrindo caminho para a anexação da Cisjordânia por Israel. “Meu avô comprou essa terra de outra tribo na época otomana... Ela foi…

