O sionismo no centro da política internacional
A cultura humanista, internacionalista e pacifista do judaísmo, anterior à criação do Estado de Israel, foi radicalmente corrompida e ultrapassada

A cultura humanista, internacionalista e pacifista do judaísmo, anterior à criação do Estado de Israel, foi radicalmente corrompida e ultrapassada
O que a psiquiatria de Douglas Kelley revelou sobre a normalidade dos algozes, o que a destruição de Gaza demonstra sobre a falência seletiva do direito internacional e por que as eleições de 2026 se tornaram um teste para a civilização
Quando o prefeito de Nova York denuncia a dimensão humana da destruição de Gaza e exige que o governo norte-americano reconheça a autoridade do Tribunal Penal Internacional, a cidade-sede das Nações Unidas transforma-se no palco de uma pergunta que o mundo já não pode evitar: a lei internacional vale também quando alcança os aliados dos poderosos?
Apesar de sua proximidade com Teerã, o Paquistão conseguiu tirar proveito da guerra no Irã para conquistar certo crédito diplomático ao trabalhar pelo fim das hostilidades. A Índia fez outra escolha: apoiar incondicionalmente seu aliado israelense, ao qual forneceu armas usadas em Gaza e com o qual tem convergências ideológicas
“Feliz como Deus na França”, dizia um provérbio asquenaze. Hoje, enquanto muitos judeus franceses se preocupam com o retorno do antissemitismo, uma minoria se angustia antes de tudo pelo medo de ser assimilada a um Estado genocida. É possível defender um sionismo progressista, oposto ao governo de Benjamin Netanyahu? Ou seria preciso emancipar a judaicidade do sionismo?
Muito dependente da ajuda ocidental, aliada de Washington e de Tel Aviv, a monarquia jordaniana decidiu proibir a Irmandade Muçulmana e pode fazer o mesmo com seu braço político, a Frente de Ação Islâmica (FAI). Uma aposta arriscada, em razão da influência dessa formação e da revolta de parte da população diante da inação de Amã diante do drama de Gaza
Em prefácio inédito escrito para o livro Ver e não ver a Palestina, o antropólogo e professor no Collège de France Didier Fassin denuncia a cumplicidade e o silêncio do Ocidente na tentam normalização do genocídio em Gaza, celebrando a obra como um ato de resistência urgente contra o esquecimento e a barbárie. Livro das psicanalistas Ana Gebrim e Marie-Caroline Saglio-Yatzimirsky será lançado em São Paulo nesta quarta-feira, dia 27 de maio, na Livraria Megafauna, e terá atividade na Feira do Livro de SP em 31 de maio
O pesadelo judeu foi anunciado por Hannah Arendt já no início de 1948. Na época, Arendt prenunciou que poderia haver uma ruptura entre o Estado de Israel e os judeus da diáspora. Mas a realidade foi muito mais cruel – o sionismo capturou o judaísmo e se transformou oficialmente em sua nova identidade tanto em Israel quanto na diáspora, apesar dos protestos de algumas organizações judaicas antissionistas
O massacre de crianças, o assassinato de famílias inteiras, a destruição de territórios e o apagamento de culturas milenares são transmitidos em tempo real e festejados com orgulho
Nos territórios ocupados da Cisjordânia, os vinhedos se expandem cada vez mais. Produzidos em terras confiscadas dos palestinos e com o apoio incondicional de Tel Aviv, os vinhos israelenses prosperam e são exportados. Bastam algumas dissimulações para fazer esquecer sua origem e colocá-los no mercado europeu
A ocupação da Palestina e a destruição da Amazônia compartilham a mesma lógica extrativista e colonial. Ambos transformam territórios vivos em zonas de sacrifício, seja um campo de refugiados em Gaza, seja uma aldeia ribeirinha no Médio Solimões
O padrão é o mesmo: fragmentar, explorar, dominar – e, por fim, deixar que as populações se destruam enquanto se lucra com os escombros