2026, o ano da grande guerra?
Há quatro anos, a guerra grassa entre Kiev e Moscou. O atoleiro das negociações se deve não apenas à intransigência dos russos, mas também à firmeza dos europeus e à inconstância dos Estados Unidos (pág. 12). Estes recuaram na questão da Groenlândia (pág. 10), mas a ordem norte-americana nunca deixou realmente de reger o mundo, inclusive no Leste Asiático, apesar da ascensão da China (págs. 2 e 11). Para consolidar essa dominação global, Washington procura tanto derrubar governos quanto colocá-los na linha, como na Venezuela (pág. 8) ou mesmo no Irã, onde a República Islâmica, todavia, parece mais contestada do que nunca (pág. 6). A administração Trump sabe que uma mudança de regime em Teerã teria consequências importantes no Oriente Médio – um dos tantos focos de conflito atuais (abaixo)
Uma guerra de grande envergadura ameaça eclodir... É o que afirma um número impressionante de cassandras, políticos, pesquisadores, militares de alta patente e jornalistas, apoiando-se nas desordens do ano que passou. “Cobri mais de quarenta guerras ao redor do mundo. Vi a Guerra Fria atingir seu ápice e depois simplesmente desaparecer. Porém, nunca vivi um ano tão inquietante quanto 2025”, afirma John Simpson, editor-chefe de assuntos internacionais da BBC.[1] O número de conflitos armados está no ápice, confirma por sua vez o Council on Foreign Relations (CFR), que aponta uma “deterioração das normas de não agressão” entre Estados e lembra que nove capitais sofreram ataques aéreos em 2025:[2] Beirute, Damasco, Doha, Cabul, Kiev, Moscou, Sanaã, Teerã e Tel Aviv. À lista poderiam se somar Túnis, cujo porto sofreu disparos de drones israelenses contra a flotilha que seguia para Gaza, Cartum, bombardeada por forças rebeldes, e, em 2026, Caracas, que suportou…

