O tarifaço contra o Brasil e a nova geoeconomia dos Estados Unidos
A novidade do segundo governo Trump não está no uso do protecionismo, mas na transformação explícita da política comercial em instrumento permanente de disputa geopolítica

A novidade do segundo governo Trump não está no uso do protecionismo, mas na transformação explícita da política comercial em instrumento permanente de disputa geopolítica
Como os democratas veem o mundo agora que as escolhas diplomáticas do presidente Trump são cada vez mais impopulares? Sem um líder e com nada além de um simples retorno à era Obama-Biden, é difícil encontrar entre eles qualquer estratégia em matéria de política externa, mesmo desconsiderando a falta de consenso interno, seja em relação ao Oriente Médio ou à China
A história associou política e polidez de forma tão estreita – ao menos na aparência – que a grosseria agora ocupa um lugar de transgressão. Surgiu um novo estilo de governante, feito de ameaças, insultos e motosserras. Seus adeptos se veem como “autênticos” diante do establishment. No entanto, sua resposta ao descrédito da política institucional contribui para aprofundá-lo ainda mais
Declarações recentes de Donald Trump sobre Cuba reativam uma longa tradição histórica de pretensões anexionistas e de controle dos Estados Unidos sobre a ilha e o Caribe
Parece exagero identificar Trump com a ascensão do fascismo nos Estados Unidos, mas não é
Discurso de Flávio Bolsonaro no CPAC indica alinhamento com EUA e Israel, reforça papel do Brasil como exportador de matérias-primas e reabre espaço para tensões institucionais no cenário eleitoral
Há quatro anos, a guerra grassa entre Kiev e Moscou. O atoleiro das negociações se deve não apenas à intransigência dos russos, mas também à firmeza dos europeus e à inconstância dos Estados Unidos (pág. 12). Estes recuaram na questão da Groenlândia (pág. 10), mas a ordem norte-americana nunca deixou realmente de reger o mundo, inclusive no Leste Asiático, apesar da ascensão da China (págs. 2 e 11). Para consolidar essa dominação global, Washington procura tanto derrubar governos quanto colocá-los na linha, como na Venezuela (pág. 8) ou mesmo no Irã, onde a República Islâmica, todavia, parece mais contestada do que nunca (pág. 6). A administração Trump sabe que uma mudança de regime em Teerã teria consequências importantes no Oriente Médio – um dos tantos focos de conflito atuais (abaixo)
Pela primeira vez desde a assinatura do Tratado do Atlântico Norte, em 1949, tropas foram destacadas para dissuadir um membro da Otan de apoderar-se do território de outro membro. O capricho imperialista de Donald Trump com a Groenlândia testa seus “aliados” europeus
Do Golden Dome ao controle das cadeias produtivas estratégicas
Aqueles de nós que estavam lá, especialmente aqueles que vivem nas regiões que sofreram aquele ataque, não apenas sofremos materialmente, mas também sofremos um profundo impacto psicológico, emocional e moral
A estrutura de segurança que sustentou a Europa por décadas atravessa um momento de profunda tensão, cada vez mais eclipsada por instrumentos econômicos que moldam a influência geopolítica
A derrubada rápida de um regime vizinho, sem capacidade de dissuasão militar, envia um recado universal: governos economicamente frágeis, isolados diplomaticamente e sem base social consistente tornam-se alvos potenciais