Fascismo na França, o grande mal-entendido
A eleição presidencial de 2027 na França terá como questão central não uma alternância de poder, mas uma possível ruptura. Mas qual? Para evitar aquela que seria provocada pela vitória da extrema direita, parte da esquerda mobiliza a sociedade contra o risco do fascismo e negligencia outra hipótese…
No grande jogo dos prognósticos sobre o futuro político da França, existe um que há vinte anos supera todos os demais nos debates da esquerda: “O fascismo!” – isto é, estamos caminhando diretamente para ele. Nicolas Sarkozy despertou, no fim dos anos 2000, inúmeras críticas nesse sentido com seu culto à polícia, sua obsessão pela segurança e a estigmatização que praticou contra os jovens filhos da imigração, “escórias” que seria preciso “limpar com uma lavadora de alta pressão”. Na virada de 2015 para 2016, os atentados islamistas, a psicose em torno dos “jovens radicalizados” e a onda de refugiados vindos do Oriente Médio enraizaram profundamente, em parte da população, a ideia de um “inimigo interno” pronto para atacar a República com a cumplicidade de certa esquerda. Mais um passo nessa direção foi dado com o projeto do presidente François Hollande de retirar a nacionalidade dos cidadãos binacionais nascidos franceses condenados…

