FABRICANTE NACIONAL DE ARMAS DA ALEMANHA

Rheinmetall fora de controle

O governo federal multiplica as compras militares, mas sem um verdadeiro comando estratégico. Nesse vazio, a Rheinmetall se impõe como a grande beneficiária de uma política de defesa cada vez mais opaca e difícil de controlar

Armin Papperger, presidente da Rheinmetall, principal fabricante de armas da Alemanha, se recusa a misturar alhos com bugalhos. Questionado em março pela The Atlantic sobre a conveniência de comprar tanques de vários milhões de euros em comparação com drones baratos, ele ironizou as inovações ucranianas: “Não se trata de tecnologia da Lockheed Martin, da General Dynamics ou da Rheinmetall. [...] São donas de casa ucranianas com impressoras 3D na cozinha”. O episódio revela a desfaçatez do personagem e confirma sua ambição de competir com gigantes norte-americanos cinco a sete vezes maiores. A invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, a “mudança de era” proclamada três dias depois pelo chanceler Olaf Scholz e a aprovação pelo Bundestag de uma alteração no freio constitucional ao endividamento, permitindo um financiamento ilimitado da defesa, foram, para esse conglomerado, uma divina surpresa. E a satisfação de seu presidente cresce junto com os…

Leia mais sobre o tema: