Guerra, mídia e desinformação
Antes e durante a guerra, as campanhas de desinformação promovidas pela imprensa foram essenciais para que a opinião pública aceitasse a ação militar da OTAN contra a Iugoslávia. Nosso dossiê aponta as mentiras mais flagrantesSerge Halimi, Dominique Vidal
Há mais de dez anos, Kosovo é vítima da política de apartheid conduzida por Belgrado. A repressão contra o Exército de Libertação (UCK), em 1998, tornou-se massiva e sangrenta. Seria, então, como o fluxo de refugiados indicava, um genocídio que apenas a intervenção ocidental poderia barrar? Um ano depois, esse pretexto que a OTAN usou para a guerra OTAN perdeu muito de sua credibilidade — e, com ele, desgastou-se a cobertura, pretensamente “exemplar” que a mídia deu à operação. Os inquéritos conduzidos, in loco, pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex- Iugoslávia, pelas organizações européias e internacionais e também por alguns jornalistas modificam radicalmente a leitura dos acontecimentos. Veja por que:
O “genocídio”: realidade ou ficção?
Nove meses após a entrada da OTAN em Kosovo, nada comprova a prática de um “holocausto”, que a TV e os jornais davam como certa
As “nossas” atrocidades são diferentes das “deles”
Quando praticadas pelos sérvios, elas são corretamente qualificadas como crimes. Se a OTAN as comete, passam a ser simples “erros”
Uma informação “exemplar”?
A mídia se auto-satisfez com a cobertura que deu à guerra. Os EUA

