A Alemanha Oriental era antissemita? - Le Monde Diplomatique

UMA TESE POPULAR ENTRE OS INTELECTUAIS OCIDENTAIS

A Alemanha Oriental era antissemita?

Edição 162 | Alemanha
por Sonia Combe
28 de dezembro de 2020
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O esforço de reescrever a história lançado no fim da Guerra Fria continua até hoje. Na Alemanha, uma poderosa corrente intelectual imputa a atual multiplicação de atos antissemitas à existência da Alemanha Oriental, a outra Alemanha, comunista, que desapareceu em 1990. É o cúmulo quando se conhece a longa indulgência do Ocidente com os antigos nazistas 

No debate sobre racismo e xenofobia que agita a Alemanha, o antissemitismo ocupa um lugar especial. Seu eco às vezes ressoa ruidosamente, como em julho passado, durante o julgamento do autor do atentado à sinagoga de Halle, em 9 de outubro de 2019, que deixou dois transeuntes mortos. 

Halle está localizada no território da antiga República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha comunista surgida em 1949 e desaparecida em 1990. Embora o assassino tenha nascido após a queda do Muro, esse fato fortaleceu os defensores de uma tese da moda: se os judeus estão novamente em perigo na República Federal, a culpa é da extinta RDA, como afirma, por exemplo, o professor alemão (ocidental)1 de Ciências da Educação Micha Brumlik. Em um artigo intitulado Até que ponto a RDA era marrom? (quer dizer, nazista), o acadêmico avança vários elementos de acusação: esse Estado se baseava em “estruturas hierárquicas autoritárias, o que atestaria uma continuidade com o Terceiro Reich; ele teria se recusado a realizar um confronto com seu passado; teria reintegrado ex-nazistas para garantir sua fidelidade, chantageando-os. Finalmente, a RDA, não satisfeita em não indenizar as vítimas do genocídio e o Estado de Israel, teria levado a cabo uma duvidosa política antissionista com o apoio de judeus da Alemanha Oriental. O antissemitismo é o socialismo dos tolos’”, declarou o líder social-democrata Auguste Bebel. O antissemitismo é o socialismo de uma ditadura chamada RDA, somos tentados a completar, conclui Brumlik.2 

Não poderia haver acusação mais radical. Acadêmico emérito, filho de pais judeus alemães que optaram por retornar à Alemanha Ocidental após a guerra, Brumlik é uma autoridade tanto nos círculos acadêmicos quanto na mídia, que de bom grado ecoam sua voz. Enxergando na RDA a segunda ditadura antissemita do século XX, um historiador norte-americano entoou refrão semelhante: a partir de 1967, a RDA teria tentado destruir Israel com a ajuda da extrema esquerda da Alemanha Ocidental.3 Como? Forjando alianças com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e os países árabes, e vendendo armas para eles. Se a RDA era oficialmente antissionista – embora afirmasse o direito de Israel de existir –, a equivalência entre essa posição política e o antissemitismo não passa de um elemento de propaganda.4 

 

Cifras “impressionantes”

Com exceção do período 1949-1953, quando a URSS de Josef Stalin mergulhou na paranoia antissemita, encorajando mais de quinhentos judeus a deixar a RDA, a acusação de antissemitismo ainda não havia sido feita de forma tão aberta por conta dos delitos da Alemanha comunista. Do final do século XIX ao final do século XX, os nacionalistas, em vez disso, lutaram contra a esquerda judaica e a ameaça judaico-bolchevique.5 O ódio ao comunismo era, como o antissemitismo, constitutivo da ideologia nazista, que concebia o marxismo como uma criação judaica a ser eliminada. 

A resposta a Brumlik veio de uma ensaísta nascida em Berlim-Pankow  na parte leste, portanto  dez anos antes da queda do Muro: Charlotte Misselwitz.6 Seu texto evoca a pediatra do hospital berlinense Charité, chamada Ingeborg Rapoport, que faleceu em 2017, aos 104 anos. Exilada nos Estados Unidos sob o Terceiro Reich como judia e comunista, ela decidiu voltar para sua casa, na parte oriental, e fez carreira na RDA. Testemunha da multiplicação de atos xenófobos e antissemitas desde a reunificação, Rapoport ofereceu uma explicação oposta à de Jeffrey Herf e Brumlik: a RDA não se reunificara com a República Federal da Alemanha (RFA), país onde ex-nazistas tinham podido seguir carreira em cargos importantes? Segundo ela, os judeus não corriam perigo durante os dias da RDA, mas o experimentavam novamente agora! 

Para os defensores da RDA antissemita, esse não é o caso. Harry Waibel, um historiador (da parte ocidental) que dedicou sua carreira a pintar de marrom a Alemanha Oriental, diz que retirou de arquivos aos quais foi o primeiro, se não o único, a ter acesso cifras impressionantes: a Stasi (a polícia política da Alemanha Oriental) teria registrado 7 mil crimes racistas e antissemitas, incluindo 145 profanações de cemitérios judeus e duzentos ataques ao estilo dos pogroms em todo o território, bem como dez linchamentos em quatrocentas cidades. Se o hooliganismo, à margem dos jogos de futebol, e a exibição de sinais nazistas eram conhecidos, a extensão que Waibel lhes atribui surpreendeu os cidadãos da ex-RDA. É claro que as autoridades foram menos zelosas na repressão aos delinquentes neonazistas do que aos adversários do regime, mas os números apresentados pelo historiador permanecem questionáveis. E nenhuma pesquisa semelhante foi realizada na ex-RFA, onde, apesar do confronto com o passado, o anticomunismo estatal contou com grande frouxidão tanto em relação a ex-nazistas como a neonazistas. 

Estudos recentes revelam que os serviços de inteligência da parte ocidental – o Bundesverfassungschutz (VS, segurança interna) e o Bundesnachrichtendienst (BND, segurança externa) – dedicaram a maior parte de sua energia para monitorar a esquerda e caçar membros da Fração do Exército Vermelho,7 a ponto de negligenciar a extrema direita, na qual agora descobrimos antigos núcleos da polícia e do Exército. O último exemplo: o pertencimento do chefe do sindicato da polícia de Berlim ao movimento neonazista.8 Em 1991, lembra Misselwitz, baseando-se em pesquisas acessíveis – ao contrário dos arquivos exclusivos de Waibel –, estimava-se que 16% da população da parte ocidental alimentava preconceitos antissemitas, contra 6% da parte oriental. Em 1994, 40% dos alemães da parte ocidental achavam que se atribuía muita importância ao genocídio dos judeus, em comparação com 22% dos alemães da parte oriental. 

Isso não impede que, defendida pela maioria dos historiadores, espalhe-se a convicção de que a RDA se esquivou do confronto com o passado nazista. Para Norbert Frei, figura proeminente da disciplina que ensina na Universidade de Jena, a política cultural antifascista da RDA não teria passado de rotina e retórica vazias9  o que as pesquisas de opinião mencionadas parecem contradizer: ela teria sido, ao final das contas, significativa! Como Brumlik, Frei questiona aquelas famosas estruturas hierárquicas autoritárias na origem das tendências pró-fascismo – um antigo tema cuja versão mais cômica foi involuntariamente apresentada por Christian Pfeiffer. Em 1999, esse criminologista alemão da parte oriental descobriu a origem dessas tendências autoritárias na prática das creches da RDA de fazer que todas as crianças se sentassem no penico ao mesmo tempo… Depois dessa experiência traumática, os cidadãos alemães que vivem na parte leste ainda tiveram a oportunidade de descobrir outras estruturas hierárquicas autoritárias: as da iniciativa privada. Como os ossies [habitantes da Alemanha Oriental] rapidamente aprenderam, se na RDA era muito perigoso criticar o chefe de Estado, havia pouco risco de ficar desempregado por ter se oposto ao seu superior no trabalho. Hoje é o contrário. 

Resta uma questão fundamental: a desnazificação na RDA foi expedita? Mais rápida que no Ocidente, certamente, porque havia muito menos a fazer que na RFA, para onde tinha fugido a maioria dos executivos comprometidos com o Terceiro Reich. A RDA reintegrou ex-nazistas? Sem dúvida, mas em menor número que na RFA. Ela os teria chantageado com seu passado? É possível. A chantagem é um método usado por todos os serviços de inteligência. Mas é verdade que, ao contrário da Stasi, os serviços de inteligência internos e externos da parte ocidental não podiam usá-la contra ex-nazistas, já que eles próprios eram, até a década de 1970, em grande parte compostos por ex-membros do Partido Nacional Socialista. 

O BND foi criado por um ex-oficial da Wehrmacht, Reinhard Gehlen, graças aos Estados Unidos, que atribuíam aos nazistas uma espécie de superpoder contra o comunismo.10 Toda a burocracia de regalias da RFA foi contaminada. Como o Grupo de Pesquisa de História do Ministério do Interior estabeleceu em suas conclusões, em julho de 1961, a proporção de ex-membros do Partido Nazista entre os executivos seniores chegava a 67%, contra menos de um décimo na parte leste.11 Sem falar que ex-servidores do Terceiro Reich, como o famoso Hans Globke, o convulsivo anticomunista que esteve na origem das leis antissemitas de Nuremberg, ocupavam altos postos sem se preocupar. Globke era ninguém menos que o chefe de gabinete de Konrad Adenauer, o primeiro chanceler da RFA. 

Por outro lado, seria difícil encontrar ex-nazistas à frente do governo da Alemanha Oriental, liderado até seu desaparecimento por uma vítima do Terceiro Reich, Erich Honecker. Em 1952, enquanto a Alemanha de Adenauer negociava com Tel Aviv suas reparações pelo assassinato de 6 milhões de judeus, ou seja, uma ajuda financeira a Israel em troca da compra de produtos alemães, os comunistas Walter Ulbricht (secretáriogeral do comitê central do Partido Socialista Unificado da Alemanha) e Wilhelm Pieck (presidente da República) lideravam a RDA. Embora não muito simpáticos, ambos haviam passado a guerra no exílio na URSS; outros, como o ex-social-democrata Otto Grotewohl, primeiro-ministro de 1949 a 1964, estavam saindo das prisões nazistas; Albert Norden, membro influente do politburo do Partido Comunista, era filho de um rabino. Por que eles deveriam se sentir culpados por aquele crime? A URSS já estrangulava a RDA com a exigência de reparações de guerra em termos de equipamentos ferroviários e maquinário, a ponto de levar ao suicídio, em 1957, um responsável pela economia, Gerhart Ziller. Recusando-se a indenizar os judeus fora de suas fronteiras, a RDA concedeu em seu solo às vítimas do fascismo (judeus e ciganos), e ainda mais aos resistentes antifascistas, pensões e privilégios significativos. 

Em muitos aspectos, o culto aos antifascistas, sobre os quais a RDA baseava sua legitimidade, lembra a política memorial levada a cabo na mesma época na França, onde os nomes dos combatentes da Resistência também foram atribuídos às ruas. Os discursos oficiais, como os proferidos na RDA, poupavam a sociedade colaboracionista. Os historiadores franceses também contribuíram para o mito de uma França resistente. A cada um, as páginas que lhe faltam. Enquanto a RDA silenciava sobre o Pacto Germano-Soviético e o desaparecimento dos comunistas alemães que se refugiaram em Moscou, executados com uma bala na nuca na prisão de Lubyanka, a maioria dos historiadores da Alemanha Ocidental ainda usava a palavra invasão para falar do desembarque de 6 de junho de 1944, eximia a Wehrmacht de qualquer participação na empreitada genocida e fabricava o mito de um corpo diplomático que não sabia. Duas fábulas teimosas, que só foram minadas com a exposição itinerante chamada A guerra de extermínio. Crimes da Wehrmacht, 1941-1944, entre 1995 e 2004, bem como com as publicações de uma comissão de historiadores independentes com base em arquivos da diplomacia em 2010.12 Em suas Memórias, o historiador Saul Friedländer relata que o diretor do Instituto de História Contemporânea de Munique, Martin Broszat, negava-lhe competência para falar do genocídio porque, como judeu, ele teria sido por demais envolvido. Ele descobriria mais tarde que Broszat havia sido membro do Partido Nazista… 

(Winny Tapajos)
Um trabalho de memória ignorado

À medida que os estudos históricos revelam os subterrâneos da criação da Alemanha Ocidental, sua relutância em julgar os ex-nazistas (os camaradas julgando uns aos outros, já que 90% dos magistrados e advogados tinham servido ao Terceiro Reich),13 a caça aos comunistas no serviço público,14 a composição e a atuação de seu serviço de inteligência, tenta-se aumentar a ficha criminal da RDA. A contribuição desse país desaparecido para a construção de uma avaliação do nazismo por meio de uma importante produção cinematográfica, teatral e literária ou o trabalho de memória realizado por pastores da Igreja Evangélica permanecem desconhecidos na parte ocidental. Auschwitz nunca foi tabu na RDA. A psicanalista Margarete Mitscherlich, autora com o marido, Alexandre Mitscherlich, do livro O luto impossível (1967),  no romance Trama de infância (1976), da escritora da Alemanha Oriental Christa Wolfa obra de luto mais magistral na língua alemã. Como na França, a arte precedeu a historiografia e preencheu as lacunas do discurso oficial. 

Trinta anos após a implosão do bloco oriental, os vencedores da Guerra Fria se atiram sobre os últimos vestígios da ideologia da Alemanha Oriental: o antifascismo e o internacionalismo. Durante um debate em 2011, o filósofo Jürgen Habermas lembrou que o anticomunismo estatal da RFA se inscrevia na continuidade da ideologia nazista e que, para se libertar dela, passava por posições anticomunistas.15 Ele não foi ouvido. 

 

*Sonia Combe é historiadora e autora de La Loyauté à tout prix. Les floués du “socialisme réel” [Fidelidade a todo custo. As fraudes do “socialismo real”], Le Bord de l’Eau, Lormont, 2019. 

 

É importante esclarecer quando o autor é da parte ocidental, pois esse ainda é o caso da maioria dos que falam sobre a RDA. 

2 Micha Brumlik, “Ostdeutscher Antisemitismus: Wie braun war die DDR? [Antissemitismo da Alemanha Oriental: quão marrom era a RDA?], Blätter für Deutsche und Internationale Politik, Berlim, jan. 2020; e “In der DDR wurde die NS-Zeit verdrängt” [Na RDA, a era nazista foi deslocada], Die Zeit, Hamburgo, 4 mar. 2020. 

3 Jeffrey Herf, Undeclared Wars with Israel: East Germany and the West German Far Left, 1967-1989 [Guerras não declaradas com Israel: Alemanha Oriental e extrema esquerda da Alemanha Ocidental, 1967-1989], Cambridge University Press, 2016. 

4 Cf. Dominique Vidal, Antisionisme = antisémitisme? Réponse à Emmanuel Macron [Antissionismo = antissemitismo? Resposta a Emmanuel Macron], Libertalia, Montreuil, 2018. 

5 Ler Paul Hanebrink, “Quand la haine du communisme alimentait l’antisémitisme” [Quando o ódio ao comunismo alimentava o antissemitismo], Le Monde Diplomatique, dez. 2019. 

6 Charlotte Misselwitz, “Als ob wir nichts zu lernen hätten von den linken Juden der DDR” [Como se não tivéssemos nada a aprender com os judeus de esquerda da RDA], Deutschland Archiv, 30 abr. 2020. Disponível em: www.bpb.de. 

7 Cf. a coleção “Unabhängige Historikerkommission zur BND-Geschichte” [Comissão de historiadores independentes sobre a história do BND], Links-Verlag, 2016-2018. 

8 Gareth Joswig, “Mitgliedsnummer 11” [Número de sócio 11], Die Tageszeitung, 20 jul. 2020. Ler também Massimo Perinelli e Christopher Pollmann, “Le non-procès de la violence néonazie” [O não julgamento da violência neonazista], Le Monde Diplomatique, jul. 2019. 

9 Deutschlandfunk, 9 fev. 2020. 

10 Cf. a coleção “Unabhängige Historikerkommission zur BND-Geschichte”, op. cit.  

11 Frank Bösch e Andreas Wirsching (org.), Hüter des Ordnung. Die Innenministerien em Bonn und Ost-Berlin nach dem Nationalsozialismus [Os ministérios do Interior em Bonn e Berlim Oriental após o nacional-socialismo], Wallstein, Göttingen, 2018. 

12 Eckart Conze et al., Das Amt und die Vergangenheit: Deutsche Diplomaten im Dritten Reich und in der Bundesrepublik [O escritório e o passado: diplomatas alemães no Terceiro Reich e na República Federal], Pantheon, Munique, 2012. 

13 Cf. Klaus Bästlein, Der Fall Globke: Propaganda und Justiz in Ost und West [O caso Globke: propaganda e justiça no leste e no oeste], Metropol, Berlim, 2018. 

14 Cf. Dominik Rigoll, Staatsschutz em Westdeutschland: Von der Entnazifizierung zur Extremistenabwehr [Segurança do Estado na Alemanha Ocidental: da desnazificação ao combate aos extremistas], Wallstein, 2013. 

15 Frankfurter Rundschau,  jul. 2011. 

 

 



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