A Bauhaus: entre a memória, o revisionismo e a AfD
Vanguarda, holocausto e memória na disputa político-civilizatória

Vanguarda, holocausto e memória na disputa político-civilizatória
Após a derrota dos nazistas e de seus colaboradores franceses, seria concebível que jornalistas cujos veículos recomendaram a execução de membros da Resistência e a deportação de judeus retomassem o trabalho? A resposta foi negativa. A Libertação da França foi seguida, portanto, de um expurgo geral da profissão. Às vezes bem detalhados, os processos estão disponíveis ao público e seu exame nos ensina muito
O octogésimo aniversário da derrota da Alemanha hitlerista reveste-se de um caráter especial tanto para a Ucrânia como para a Rússia. Os dois beligerantes não param de comparar a batalha que travam com a Segunda Guerra Mundial, reivindicando cada um o legado da libertação da Europa em 1945. Contudo, do lado ucraniano, as políticas de desrussificação tendem a apagar a memória dos ucranianos que lutaram no Exército Vermelho e, por conseguinte, sua contribuição fundamental para a vitória sobre o nazismo
O que a experiência da memória social alemã e polonesa em relação ao Estado de Exceção nazista pode ajudar na compreensão da ditadura civil-militar brasileira e o avanço da extrema direita?
Para quem não se deixou levar pela cegueira intelectual e moral do antipetismo, era fácil notar os diversos elementos nazifascistas que sustentavam a campanha bolsonarista, como o nacionalismo exacerbado, a defesa de princípios conservadores, o militarismo, a personalidade autoritária.
A humanidade parece ter evoluído suas percepções de Justiça, que se afastam da ideia de vingança. Contudo, demanda certo esforço pensar que a vingança é sempre algo abjeto
O transe coletivo de apoiadores de Bolsonaro após sua derrota nas urnas produziu uma série de ações como resposta ao sofrimento inscrito na estrutura neurótica: sofrimento que advém, neste caso, do déficit entre a realidade dos fatos e a psíquica
O esforço de reescrever a história lançado no fim da Guerra Fria continua até hoje. Na Alemanha, uma poderosa corrente intelectual imputa a atual multiplicação de atos antissemitas à existência da Alemanha Oriental, a outra Alemanha, comunista, que desapareceu em 1990. É o cúmulo quando se conhece a longa indulgência do Ocidente com os antigos nazistas
Com a libertação do campo de concentração de Buchenwald em abril de 1945, encerrou-se um calvário e começou uma história, a dos prisioneiros, em geral comunistas, que salvaram vidas ao custo de escolhas impossíveis. Mas seu gesto, celebrado pelo regime da Alemanha Oriental, foi brutalmente questionado após a queda do Muro. Os vencedores da Guerra Fria começaram então a reescrever a história
Existe uma luta permanente entre princípios autoritários (fascistas) X libertários, que nos demandam uma análise mais profunda das instituições e dos valores que os sustentam
Quando você vive com antenas muito bem desenvolvidas para o renascimento da intolerância e do fascismo, o alarme não poderia soar mais claramente que no caso desse homem e seus apoiadores. É só substituir LGBT, negro e mulher por “judeu” e estamos claramente em 1933
Impor sua agenda no debate público, levar a batalha cultural paralelamente ao combate político: na Alemanha, como em outros lugares, as formações nacional-conservadoras se aplicam em preencher essa dupla tarefa. Isso passa pela criação de revistas, editoras e jornais. É o caso do Junge Freiheit, semanário que conheceu um crescimento fulgurante nos últimos anos Rachel Knaebel