Ucranianos contra o nazismo, a vitória roubada
O octogésimo aniversário da derrota da Alemanha hitlerista reveste-se de um caráter especial tanto para a Ucrânia como para a Rússia. Os dois beligerantes não param de comparar a batalha que travam com a Segunda Guerra Mundial, reivindicando cada um o legado da libertação da Europa em 1945. Contudo, do lado ucraniano, as políticas de desrussificação tendem a apagar a memória dos ucranianos que lutaram no Exército Vermelho e, por conseguinte, sua contribuição fundamental para a vitória sobre o nazismo
A Ucrânia, atravessada em duas ocasiões por exércitos de milhões de soldados entre 1941 e 1945, constituiu o principal teatro de operações da Segunda Guerra Mundial. Entre 8 milhões e 10 milhões de ucranianos perderam a vida ali – de 3 milhões a 4 milhões de militares e mais de 5 milhões de civis. Dessas vítimas, contabilizam-se 1,5 milhão de judeus, ou seja, um quarto das vítimas do Holocausto. Um pequeno número de ucranianos escolheu colaborar com os nazistas, sobretudo na Ucrânia Ocidental, anexada pela União Soviética em 1939, em virtude de um protocolo secreto do Pacto Molotov-Ribbentrop. Esses colaboradores serviram na polícia alemã e nas administrações locais sob o regime de ocupação, auxiliando diretamente o genocídio. Cerca de 13 mil voluntários formaram em 1944 a 14ª Divisão da SS. Paralelamente, o grupo de nacionalistas ucranianos liderado por Stepan Bandera tentou primeiro declarar a independência do país sob protetorado alemão…

